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Sesacre alerta para aumento do risco de intoxicação por agrotóxicos durante a estiagem no Acre

Boletim da Sesacre alerta para aumento das intoxicações por agrotóxicos durante o período de seca no Acre.

Redação Por

A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), por meio do Núcleo de Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos (VSPEA), publicou um boletim informativo alertando para o aumento do risco de intoxicações por agrotóxicos no estado, especialmente durante os meses de maior atividade agrícola.

O documento reúne informações registradas entre 2020 e a Semana Epidemiológica nº 23 de 2026, encerrada em 13 de junho, e destaca a necessidade de fortalecer a vigilância em saúde, ampliar o diagnóstico precoce e garantir a notificação dos casos suspeitos aos sistemas oficiais.

Segundo a Sesacre, o avanço das atividades agropecuárias e o uso crescente de agrotóxicos em diferentes sistemas produtivos elevam o potencial de exposição da população, principalmente durante o período de estiagem.

Trabalhadores rurais e comunidades tradicionais estão entre os grupos mais vulneráveis

De acordo com o boletim, agricultores familiares, trabalhadores rurais, povos indígenas, comunidades tradicionais, ribeirinhos e moradores de áreas próximas às lavouras figuram entre os grupos com maior risco de exposição aos agrotóxicos.

A Vigilância em Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos integra a Vigilância em Saúde Ambiental do Sistema Único de Saúde (SUS) e atua no monitoramento, prevenção e redução dos riscos provocados pela exposição humana a esses produtos.

Embora o uso de agrotóxicos seja regulamentado pela legislação brasileira, a Sesacre alerta que a exposição pode provocar intoxicações agudas e crônicas, além de diversas complicações à saúde.

Diagnóstico pode ser dificultado por sintomas inespecíficos

O boletim destaca que muitos casos apresentam sintomas semelhantes aos de outras doenças, dificultando o reconhecimento pelos profissionais de saúde e contribuindo para a subnotificação.

Entre os principais sintomas estão:

  • dor de cabeça;
  • tontura;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • irritação na pele e nos olhos;
  • dificuldade para respirar;
  • salivação excessiva;
  • convulsões, nos casos mais graves.

Segundo a Sesacre, a notificação imediata dos casos suspeitos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) é fundamental para que o Estado conheça a real dimensão do problema e desenvolva políticas públicas mais eficazes.

Cinco municípios concentram maior número de notificações

Os dados da Vigilância em Saúde apontam que os municípios com maior número de notificações de intoxicação exógena por agrotóxicos entre 2020 e junho de 2026 são:

  • Rio Branco;
  • Acrelândia;
  • Brasiléia;
  • Xapuri;
  • Senador Guiomard.

Apesar disso, a Secretaria de Saúde ressalta que os registros ainda podem estar abaixo da realidade, considerando o volume de agrotóxicos utilizado no estado, conforme dados do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf).

Estiagem aumenta o risco de exposição

A Sesacre destaca que o período de seca representa uma fase crítica para a saúde pública.

Durante esses meses ocorre intensificação de atividades como:

  • preparo do solo;
  • plantio;
  • pulverização;
  • tratos culturais.

Com isso, aumenta o risco de contato com os produtos tanto para trabalhadores quanto para moradores de propriedades vizinhas.

A exposição pode ocorrer por diferentes formas, incluindo:

  • inalação dos produtos;
  • contato direto com a pele;
  • ingestão de alimentos ou água contaminados;
  • deriva da pulverização, quando partículas são levadas pelo vento para outras áreas.

Sesacre orienta medidas de prevenção

Para reduzir os riscos, a Secretaria recomenda que a população adote alguns cuidados importantes.

Entre as principais orientações estão:

  • evitar permanecer próximo às áreas durante pulverizações;
  • manter portas e janelas fechadas quando houver aplicação em propriedades vizinhas;
  • proteger reservatórios de água;
  • higienizar frutas, verduras e legumes antes do consumo;
  • respeitar o período de reentrada em áreas recém-pulverizadas;
  • nunca reutilizar embalagens vazias de agrotóxicos.

Também é recomendado denunciar pulverizações realizadas de forma irregular, principalmente próximas de escolas, residências, unidades de saúde e cursos d’água.

O que fazer em caso de suspeita de intoxicação

Em situações de possível intoxicação, a orientação da Sesacre é agir rapidamente.

As recomendações incluem:

  • afastar imediatamente a vítima da fonte de exposição;
  • retirar roupas contaminadas;
  • lavar a pele com água corrente e sabão;
  • não provocar vômito sem orientação profissional;
  • procurar atendimento médico imediatamente.

Segundo a Secretaria de Saúde, o atendimento precoce aumenta as chances de recuperação e permite que os casos sejam registrados oficialmente, fortalecendo as ações de vigilância epidemiológica e prevenção.

Vigilância busca reduzir impactos dos agrotóxicos na saúde da população

A Sesacre reforça que o fortalecimento da vigilância, da capacitação dos profissionais de saúde e da conscientização da população são medidas essenciais para reduzir os impactos provocados pelos agrotóxicos no Acre.

O órgão destaca que a identificação precoce dos casos, aliada à notificação obrigatória e à adoção de práticas preventivas, contribui para proteger trabalhadores rurais, comunidades tradicionais e todos os moradores expostos às atividades agrícolas durante o período de estiagem.

Rio Branco, Acrelândia, Brasiléia, Xapuri e Senador Guiomard concentram o maior número de notificações de intoxicação. | Fonte: DIVSIV/SINANNET

Por Samoel Andrade