Uma análise de satélite revelou que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo na última sexta-feira (9) voou entre oito e dez minutos sob condições de gelo severo. O gelo acumulado nas superfícies da aeronave, um ATR 72-500, pode ter comprometido sua sustentação e estabilidade, conforme indicado pelo manual da fabricante.
O meteorologista Humberto Barbosa, coordenador do Lapis, destacou que o avião enfrentou não apenas a formação de gelo severo, mas também outros fenômenos, como um ciclone extratropical e fumaça de queimadas, que agravaram as condições meteorológicas. Essas condições adversas, combinadas com ventos fortes e umidade elevada, causaram um impacto significativo na aerodinâmica da aeronave.
A análise do Lapis indica que a zona mais crítica foi enfrentada entre 13h10 e 13h19, com a perda de contato radar ocorrendo às 13h22. O estudo estima que o avião permaneceu de 8 a 10 minutos sob as condições mais severas, um período crítico para uma situação tão desfavorável.
Um laudo adicional revelou que o sistema de degelo da aeronave estava inoperante em pelo menos seis ocasiões durante três dias de julho do ano passado. A caixa-preta do avião registrou conversas da tripulação e tentativas de estabilização minutos antes da queda. O copiloto, ao perceber a perda de sustentação, tentou “dar potência” à aeronave, mas a tentativa não foi bem-sucedida. O áudio finaliza com os gritos da tripulação e o som do impacto contra o solo.
As 62 pessoas a bordo perderam a vida no acidente, e as investigações continuam para determinar todas as causas e circunstâncias do trágico evento.




