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Coronel foragido nos EUA pelo 8/1 é cobrado por dívida com Exército

Por Pablo Giovanni
Reprodução

Considerado foragido após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo da trama golpista, o coronel Reginaldo Abreu de Azevedo é alvo de cobrança judicial por uma dívida decorrente de um empréstimo contraído com uma fundação ligada ao Comando do Exército.

Reginaldo de Azevedo está nos Estados Unidos, onde mora desde 2023, e é alvo de um mandado de prisão pendente expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos sobre a tentativa de golpe.

Em meio à situação judicial do coronel, a Fundação Habitacional do Exército (FHE) ingressou com uma ação contra Reginaldo para cobrar uma dívida de R$ 39 mil. O débito tem origem em um empréstimo de cerca de R$ 60 mil contratado pelo coronel em maio de 2023.

Do valor contratado, porém, Reginaldo recebeu cerca de R$ 31 mil. Isso porque parte do empréstimo foi utilizada para quitar uma dívida anterior de R$ 28,5 mil que o militar mantinha com a fundação. O novo contrato previa o pagamento de parcelas mensais de aproximadamente R$ 1,5 mil.

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da Coluna Manoela Alcântara

O militar manteve os pagamentos em dia por cerca de dois anos, mas deixou de quitar as parcelas em julho do ano passado. Com o atraso e a atualização do débito, a dívida chegou a R$ 39,9 mil em fevereiro deste ano.

Intimação frustrada

Oficiais de Justiça chegaram a tentar intimar o militar para o pagamento da dívida, mas Reginaldo não foi encontrado em nenhum dos endereços visitados na capital federal.

Em uma das tentativas, em Águas Claras, no Distrito Federal, o oficial foi informado de que o coronel havia vendido o imóvel em 2020.

Reginaldo integrou o núcleo 4 da trama golpista e foi condenado pela Primeira Turma do STF a 15 anos de prisão.

Ele é considerado foragido desde 10 de abril, quando a Polícia Federal (PF) e o Exército cumpriram ordens de Moraes para prender condenados pela trama golpista. O coronel não foi localizado para o cumprimento do mandado.

Sem salário

Em nota, assinada pelos advogados Helder Lucio Rego e Diego Ricardo Marques, a defesa afirmou que Reginaldo deixou de pagar as parcelas após Moraes determinar a suspensão do salário que ele recebia do Exército.

“A interrupção dos pagamentos, portanto, decorre de fato alheio à sua vontade. A defesa está analisando detalhadamente os valores e encargos cobrados e avaliará as medidas cabíveis, inclusive para afastar cobranças indevidas e apurar possíveis erros de procedimentos”, cita a nota (leia a íntegra abaixo).

Núcleo 4

Os condenados do núcleo 4 atuavam, segundo a decisão, na disseminação de informações falsas sobre as urnas eletrônicas nas redes sociais, como parte de uma estratégia para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o núcleo realizou monitoramentos e “ataques virtuais” como parte de um “plano maior de ruptura com a ordem democrática”.

O grupo foi acusado de produzir notícias falsas sobre o sistema eleitoral, promover ataques virtuais contra autoridades e apoiar a presença de bolsonaristas nos atos golpistas ocorridos entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023.

A acusação também apontou o suposto uso da estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para a prática de crimes, já que alguns dos réus estavam lotados no órgão à época dos fatos investigados.

Os integrantes do núcleo foram condenados por crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Nota

“A defesa informa que o Coronel Reginaldo não reconhece a dívida nos moldes em que foi apresentada. Até a suspensão dos seus vencimentos, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, ele sempre adimpliu regularmente as suas obrigações por meio de desconto em folha.

A interrupção dos pagamentos, portanto, decorre de fato alheio à sua vontade. A defesa está analisando detalhadamente os valores e encargos cobrados e avaliará as medidas cabíveis, inclusive para afastar cobranças indevidas e apurar possíveis erros de procedimentos”, diz a defesa.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Pablo Giovanni.