O aumento do número de crianças e adolescentes vítimas de crimes virtuais durante o período de férias escolares reforça um alerta feito por autoridades da segurança pública. O contato prolongado com ambientes virtuais, sem acompanhamento dos pais ou responsáveis, pode facilitar a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos nocivos, discursos de ódio e até comunidades que incentivam práticas criminosas.
“O principal sinal hoje é o isolamento social aliado à busca excessiva por telas. Quando o adolescente deixa de conviver com a família, muda bruscamente o comportamento e passa grande parte do tempo sozinho conectado, é importante que os pais fiquem atentos”, afirmou a delegada Lisandréa Salvariego, coordenadora do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo.
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De acordo com as investigações do Noad, adolescentes podem ser expostos gradualmente a conteúdos cada vez mais violentos por meio dos próprios algoritmos das plataformas digitais. O processo costuma começar com materiais aparentemente inofensivos e, à medida que o usuário demonstra interesse, as recomendações passam a incluir conteúdos mais extremistas, com incentivo ao discurso de ódio e à violência.
Crimes virtuais aumentam
- Segundo o levantamento do Noad, que considera os registros feitos entre os dias 15 de junho e 15 de julho, os casos de crimes virtuais contra crianças e adolescentes aumentaram de 89 para 158, em comparação ao mesmo período do ano passado.
- A prática de violência contra animais em ambientes digitais que triplicou no mesmo período.
- De acordo com a delegada Lisandréa Salvariego, coordenadora do Noad, as vítimas são, em sua maioria, meninas de seis a 15 anos de idade.
Um inquérito civil tramita no Ministério Público de São Paulo contra a plataforma Discord, informou a delegada. “O inquérito foi instaurado a partir de constatações do NOAD, visto que a maioria das transmissões desses crimes acontece nessa plataforma.”
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Leonardo Amaro.




