A disputa judicial envolvendo uma propriedade rural conhecida como Colônia Betel, localizada no km 21 da estrada entre Sena Madureira e Rio Branco, ganhou um novo capítulo após a manifestação da defesa de Márcio Beraldo, comprador que perdeu a posse da área por determinação judicial.
O advogado André, que representa Márcio, apresentou uma versão diferente daquela divulgada anteriormente pela defesa de Manoel Izidoro, antigo proprietário da área. Segundo o advogado, o negócio foi firmado pelo valor de R$ 2,5 milhões e previa uma composição de pagamento envolvendo um imóvel urbano em Rio Branco e valores em dinheiro.
Como teria sido o acordo
Segundo a defesa de Márcio, a negociação da propriedade foi estabelecida em R$ 2,5 milhões.
A entrada, conforme relatado pelo advogado André, teria sido composta por um imóvel urbano localizado em Rio Branco e R$ 500 mil em dinheiro, totalizando aproximadamente R$ 1,5 milhão como primeira parte do acordo.
O restante do valor deveria ser quitado posteriormente. Conforme a versão apresentada pela defesa do comprador, uma parcela de R$ 500 mil estava prevista para 2026.
A defesa sustenta que, antes mesmo da conclusão integral do pagamento, Márcio teria buscado a regularização documental da propriedade.
Comprador teria pedido escritura da propriedade
De acordo com o advogado André, seu cliente teria solicitado ao antigo proprietário a emissão de pelo menos uma escritura relacionada à propriedade como forma de avançar na formalização do negócio.
A defesa afirma que Manoel Izidoro teria se recusado a atender ao pedido.
Segundo o advogado, a negativa teria contribuído para o agravamento do conflito entre as partes e posteriormente para a judicialização da disputa.
A questão documental é um dos principais pontos de divergência no caso. Em manifestação anterior, a defesa de Manoel apresentou outra narrativa e afirmou que a negociação teria sido descumprida pelo comprador.
Defesa afirma que comprador depositou os R$ 500 mil
Outro ponto apresentado pelo advogado André diz respeito à parcela de R$ 500 mil que ainda faltaria para completar o pagamento.
Segundo a defesa de Márcio, o comprador depositou judicialmente o valor restante, demonstrando, na avaliação do advogado, a intenção de cumprir o acordo firmado.
Documentos apresentados anteriormente à imprensa pela defesa do comprador mostram pagamentos judiciais realizados em junho de 2026 que totalizam R$ 499.910, além de outras transferências feitas diretamente ao antigo proprietário. A defesa afirma que, somando os pagamentos realizados, o montante relacionado ao negócio chegaria a aproximadamente R$ 2,05 milhões.
Depósito teria ocorrido após suspensão da posse
A defesa sustenta, entretanto, que o pagamento dos R$ 500 mil ocorreu em um momento em que a situação da posse da propriedade já havia sido alterada judicialmente.
Segundo André, quando o comprador realizou o depósito, a emissão ou manutenção da posse da área já havia sido suspensa, o que teria impedido que o pagamento produzisse o resultado esperado pela defesa.
A Justiça de Sena Madureira determinou a reintegração de posse da propriedade em favor do antigo proprietário, fazendo com que Márcio deixasse a área.
Advogado acusa antigo proprietário de agir de má-fé
Na nova manifestação, o advogado André também acusa Manoel Izidoro de agir de má-fé durante a negociação.
Segundo a defesa do comprador, o antigo proprietário teria solicitado a devolução da terra depois do impasse relacionado à documentação, mesmo diante dos pagamentos realizados e do depósito judicial do valor que faltava.
A defesa de Márcio sustenta que o comprador tentou cumprir as obrigações financeiras assumidas e que o conflito teria surgido principalmente em razão da falta de regularização documental.
A acusação, contudo, é contestada pela defesa de Manoel.
Antigo proprietário apresenta versão diferente
Em manifestação divulgada anteriormente, o representante legal de Manoel Izidoro afirmou que o contrato teria sido descumprido pelo comprador. Segundo essa versão, uma parcela de R$ 500 mil teria vencido em março de 2026 e não teria sido paga dentro do prazo.
A defesa também questionou o imóvel utilizado como parte da entrada, avaliado em aproximadamente R$ 550 mil, alegando que haveria problemas relacionados à propriedade e à transferência do bem.
A defesa de Márcio, por outro lado, apresentou uma declaração de Welinton Consoline de Macedo, que afirmou ser proprietário do imóvel utilizado na negociação e declarou que estaria disposto a realizar os procedimentos necessários para sua transferência.
Disputa ainda depende da análise judicial
Com as manifestações das duas partes, a disputa passou a apresentar versões distintas sobre o cumprimento do contrato, os pagamentos realizados, a documentação do imóvel utilizado como parte da entrada e as circunstâncias que levaram à perda da posse.
Embora Márcio tenha apresentado comprovantes que, segundo sua defesa, demonstram pagamentos de aproximadamente R$ 2,05 milhões, a Justiça determinou a reintegração de posse em favor de Manoel Izidoro.
Até o momento, portanto, Márcio perdeu o direito de permanecer na posse da propriedade, mas a controvérsia sobre o cumprimento das obrigações contratuais e os efeitos dos pagamentos realizados continua sendo discutida.
A reportagem deve tratar as acusações de má-fé e de descumprimento contratual como alegações das respectivas partes, sem apresentar qualquer uma delas como fato definitivamente comprovado enquanto a disputa estiver sob análise judicial.




