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Escudo materno: quando e onde grávidas devem se vacinar contra o VSR no DF

Por Thalita Vasconcelos
LUIS NOVA / METRÓPOLES
@LuisGustavoNova

Gestantes a partir da 28ª semana de gravidez podem receber gratuitamente pela rede pública de saúde do Distrito Federal a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite em bebês. Incorporado ao calendário nacional de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) em dezembro de 2025, o imunizante busca proteger os recém-nascidos contra as formas graves da infecção nos primeiros meses de vida.

A vacina é recomendada para gestantes entre a 28ª e a 36ª semana de gravidez. Embora possa ser administrado a partir da 24ª semana em situações específicas, a orientação é que a maioria das gestantes seja vacinada dentro do período recomendado.

A dosagem da vacina é única e as gestantes que tomarem o imunizante conseguirão proteger o bebê ainda na barriga. Contudo, caso haja uma nova gravidez, a recomendação é tomar uma outra dose da vacina. Não há restrição de idade.

O imunizante pode ser tomado em qualquer uma das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do DF. Descubra a unidade mais próxima da sua residência por meio do InfoSaúde-DF, ou clicando aqui.

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do Metrópoles DF

A estratégia de vacinar a gestante baseia-se no conceito de imunização passiva. Segundo a Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a aplicação da vacina bivalente recombinante no terceiro trimestre estimula o organismo materno a produzir imunoglobulinas (IgG) específicas contra a proteína F do VSR. Esses anticorpos atravessam a placenta e chegam ao bebê ainda durante a gestação, proporcionando proteção nos primeiros seis meses de vida.

O Metrópoles preparou uma reportagem especial que reúne histórias de mães que enfrentaram a internação dos filhos em UTIs por bronquiolite e mostra como essas experiências influenciam a percepção sobre a prevenção da doença. A matéria também traz análises exclusivas de especialistas em saúde sobre o impacto, a segurança e a eficácia da vacina contra o VSR. Leia a reportagem completa.

Proteção eficaz para o bebê

As infecções do trato respiratório inferior (ITRI) estão entre as principais causas de adoecimento e mortalidade de crianças e adultos em todo o mundo. Entre as crianças menores de 2 anos, o VSR é apontado como a principal causa desse tipo de infecção e pode responder por cerca de 75% dos casos de bronquiolite viral aguda e 40% das pneumonias durante os períodos de sazonalidade, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria.

O VSR pode infectar pessoas de todas as faixas etárias, mas os lactentes, especialmente os menores de 6 meses, estão entre os mais vulneráveis às formas graves da infecção. Nesse grupo, o vírus é uma das principais causas de internação, com maior risco de complicações e morte entre prematuros e crianças com cardiopatias congênitas, Síndrome de Down, anomalias congênitas respiratórias, imunodeficiência, fibrose cística e doença neuromuscular.

Hoje, o SUS conta com duas estratégias seguras e eficazes para proteger os bebês contra as formas graves do VSR: a vacinação durante a gestação e os anticorpos monoclonais, como palivizumabe e nirsevimabe, aplicados diretamente nos bebês.

A vacinação materna é uma das principais formas de prevenção, enquanto os anticorpos são indicados para grupos específicos de crianças com maior risco de agravamento, como prematuros de até 36 semanas e 6 dias e crianças de até 23 meses com determinadas comorbidades. Em alguns casos, as duas formas de proteção podem ser complementares, conforme a indicação médica.

A ginecologista e obstetra do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Rita de Cássia Corrêa de Oliveira Nishiyama, lembra que a vacina exige um tempo mínimo de incubação no organismo materno.

“É necessário um intervalo de pelo menos 14 dias entre a aplicação e o parto para que a transferência de anticorpos via placenta seja concluída com sucesso. Caso o bebê nasça antes desse prazo, o recém-nascido precisará receber o anticorpo monoclonal para garantir a proteção”, explica Rita.

De acordo com a especialista, a principal contraindicação à vacina contra o VSR é ter apresentado reação alérgica aguda após uma dose anterior do próprio imunizante. Nesses casos, a vacinação em uma nova gestação não deve ser realizada novamente.

Felizmente, para a maioria das gestantes, as reações são leves e temporárias. Entre os efeitos mais comuns estão dor, vermelhidão e sensibilidade no local da aplicação, além de dor de cabeça e dor no corpo. Segundo Rita, esses sintomas geralmente desaparecem em até 72 horas.

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Vacina materna contra o VSR está disponível em todas as UBSs do DF

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A recomendação é de que a vacina seja aplicada a partir da 28ª semana de gestação

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Disponível na rede pública desde dezembro, a vacina protege o bebê ainda durante a gestação

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A vacina materna contribui para que o bebê receba uma proteção
robusta pelos anticorpos produzidos pela mãe, que lhe são transferidos no ventre materno através da
placenta e, mais tarde, pela amamentação, funcionando como um reforço para suas defesas

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Eficácia do imunizante

De acordo com o Ministério da Saúde, a eficácia foi comprovada em estudos clínicos, que mostraram eficácia de 81,8% na prevenção de doenças respiratórias graves causadas pelo VSR em bebês durante os primeiros três meses de vida.

A proteção permaneceu significativa até os 180 dias, com redução de 69,4% dos casos. O estudo também apontou um perfil de segurança favorável tanto para as gestantes quanto para os bebês acompanhados desde o nascimento até os 2 anos.

Na rede pública de saúde brasileira, os dados epidemiológicos fornecidos pelo Ministério da Sáude mostraram um impacto imediato da incorporação da vacina no calendário das gestantes. No comparativo entre os primeiros semestres de 2025 e 2026, os registros de bronquiolite grave em bebês com menos de 6 meses caíram de 17.601 para 9.022 casos.

Quando analisados os quadros de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados especificamente pelo VSR, a queda foi de 52,5% (de 14.061 para 6.674 casos), acompanhada por uma redução drástica nas mortes de lactentes, que despencaram de 159 para 85 óbitos.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Thalita Vasconcelos.