Em menos de duas semanas, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mudou o tom sobre o Supremo Tribunal Federal (STF) de acordo com o público ouvinte.
Diante de empresários e banqueiros da Faria Lima, evitou defender o impeachment de ministros e falou em uma saída política para a crise entre os Poderes. No 7 de Setembro, diante de apoiadores na Avenida Paulista, voltou a atacar Alexandre de Moraes e a defender bandeiras da pauta anti-STF.
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do Metrópoles
A agenda se deu justamente quando integrantes do mercado voltavam a se aproximar do candidato do PL.
Flávio havia perdido espaço entre empresários com o avanço das revelações sobre sua relação com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, mas voltou a ser convidado para encontros à medida que manteve competitividade nas pesquisas eleitorais.
No jantar, também se mostrou aberto a composições partidárias em um eventual governo e disse que ministros precisariam combinar capacidade técnica e articulação política.
STF em crise
O tom adotado naquela noite antecedeu uma nova escalada da crise no STF. Em 31 de agosto, Moraes e André Mendonça discutiram no gabinete deste último por causa das investigações sobre o caso Master.
Mendonça havia determinado à Polícia Federal (PF) que identificasse um interlocutor de Vorcaro em mensagens nas quais eram citados o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A corporação apontou Moraes.
Dias depois, no 7 de Setembro, Flávio usou a crise como um dos eixos de seu discurso para apoiadores na Avenida Paulista. Chamou Moraes de “laranja podre” e defendeu o impeachment do ministro.
“Temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes, aquela laranja podre não pode contaminar toda a Corte”. Também disse que Moraes “vai cair” e associou o magistrado diretamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): “Quem vota em Lula, vota em Alexandre de Moraes”.
A ofensiva contra o Supremo, porém, antecede a candidatura de Flávio e acompanha o bolsonarismo desde o governo Jair Bolsonaro (PL).
No 7 de Setembro de 2021, o então presidente usou a mesma Avenida Paulista para atacar Moraes e ameaçar reagir às decisões do ministro. “Sai, Alexandre de Moraes, deixe de ser canalha, deixe de oprimir o povo brasileiro”, afirmou Bolsonaro na ocasião.
O confronto com a Corte passou, desde então, a ocupar espaço recorrente nas manifestações organizadas pela direita.
Em 2026, a crise entre Moraes e Mendonça deu novo impulso a essa agenda. O ato deste ano teve um boneco inflável em homenagem a Mendonça, críticas a Moraes e cobranças ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que coloque em andamento processos contra integrantes do Supremo.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, anunciou uma manifestação em Macapá para aumentar a pressão sobre Alcolumbre.
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Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou tom mais moderado diante do mercado e retomou ataques ao STF no 7 de Setembro
Rebeca Ligabue/Metrópoles2 de 2
Alexandre de Moraes voltou ao centro dos ataques bolsonaristas após a escalada da crise no STF envolvendo o caso Master
LUIS NOVA / METRÓPOLES
@LuisGustavoNova
Entre as pautas defendidas por Flávio e aliados estão:
- impeachment de Alexandre de Moraes;
- pressão sobre Alcolumbre para destravar pedidos contra ministros do STF;
- eleição de uma bancada maior no Senado, Casa responsável por analisar esses processos;
- influência sobre a futura composição do Supremo por meio das indicações presidenciais.
Nova frente
O Senado, por isso, virou uma frente da campanha do PL. Flávio anunciou apoio a 47 candidatos à Casa em diferentes estados.
Neste ano, 54 das 81 cadeiras estão em disputa, e o bolsonarismo trabalha para ampliar sua bancada a partir de 2027. Além de decidir sobre processos de impeachment contra ministros do STF, cabe aos senadores aprovar ou rejeitar as indicações feitas pelo presidente da República para a Corte.
A pressão, agora está sob Alcolumbre. Em 1º de setembro, ao ser questionado sobre a ofensiva contra Moraes, o presidente do Senado lembrou que havia 109 pedidos de impeachment contra os dez ministros do Supremo e sinalizou resistência a colocá-los em andamento.
“A minha percepção é que tem 109 pedidos. Isso não é normal. 109 solicitações de pedido de impeachment no Congresso dos 10 ministros do Supremo”, afirmou o parlamentar. Nunca, na história do país, um magistrado da Corte foi destituído do cargo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Maria Laura Giuliani.




