Se Luiz Fux, e pelo menos mais dois ministros do Supremo Tribunal Federal (André Mendonça e Nunes Marques) podem ignorar as provas de que Bolsonaro tentou dar um golpe para derrubar a democracia, por que não tantos outros brasileiros desinformados ou adorados de pneus? Os malucos.
Digo a favor de Fux, um ministro capaz de matar no peito causas bizarras e de agradecer de joelhos a quem o ajudou a conquistar a toga, que ele enxergou provas, sim, para condenar por um único crime o delator da trama golpista (Mauro Cid) e o golpista mais desprezado entre seus companheiros de farda (Braga Netto).
Pedro Aleixo, então vice-presidente, que apoiou o golpe, recusou-se a subscrever o AI-5. Por causa disso, com a morte do presidente Costa Silva, foi impedido pelos militares de ocupar o seu lugar. O general Garrastazu Médici sucedeu a Costa e Silva. O mineiro Pedro Aleixo abandonou a política.
Quer queira, quer não, Fux será obrigado a abandonar o Supremo em abril de 2028, quando completará 75 anos. É o que manda a lei. Até lá, seus pares o tratarão com o respeito devido a qualquer um deles, mas não mais com afeto e camaradagem. Fux jogou-os às feras da extrema-direita e às sanções de Trump, preservando-se.
Dizem nas vizinhanças de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, que Fux seria um baita candidato se decidisse entrar na política. Não creio que o fará. O mercado de pareceres jurídicos é mais atraente e não depende do incerto voto popular. Fux é pai amoroso de filhos advogados que ainda se escoram na sua influência.
De resto, Fux gosta de passear no calçadão de Ipanema e de ser reconhecido. A essa altura, imagino que o calçadão de Copacabana, reduto de bolsonaristas, seria mais seguro para ele. Quanto aos brasileiros desinformados e os adoradores de pneus, há tempo para que se informem e mudem de opinião. Tomara.




