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Marina e Davi Davino ameaçam domínio de Lira e Renan em Alagoas

Por Andreza Matais
Arthur Lira e Renan Calheiros, candidatos ao Senado

A eleição para o Senado pode mudar a configuração da política de Alagoas.

Apesar de toda a costura política feita para limpar o caminho até as duas vagas em disputa, Arthur Lira (PP) e Renan Calheiros (MDB) enfrentam uma ameaça de derrota para Marina JHC (PL) e Davi Davino (Republicanos).

Se esse cenário desenhado por pesquisas internas se confirmar, os dois principais grupos políticos do Estado perderão espaço no Senado para adversários que hoje tentam romper a polarização Lira-Calheiros.

Davi Davino e Marina JHC, candidatos ao Senado por Alagoas

Lira e Calheiros chegam à eleição com bases eleitorais diferentes. O deputado construiu sua força a partir da Câmara, das alianças com prefeitos e do eleitorado de direita. Renan, senador desde 1995, mantém uma estrutura política espalhada pelo interior e conta com a força do grupo que comandou o estado de 2015 a 2022, por meio do seu filho, Renan, que tenta voltar ao cargo, além do apoio do presidente Lula. O peso político dos dois, porém, não garante uma eleição tranquila.

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do Metrópoles

Marina tem como principal ativo a força do seu grupo político na capital. Ela é casada com o ex-prefeito JHC (Senado), que é candidato ao governo de Alagoas.

Maceió concentra cerca de um quarto do eleitorado de Alagoas e, somada à região metropolitana, representa quase um terço dos votos do Estado. Uma votação expressiva nessa área pode garantir sua eleição para uma das vagas e ainda permitir que avance sobre o segundo voto dos eleitores.

A candidatura de Marina atinge especialmente os cálculos de Lira. Na disputa pelo voto da direita, Lira terá que dividir esse eleitorado com ela e com Davi Davino. A concentração de três candidaturas competitivas no mesmo campo aumenta a importância da distribuição do segundo voto.

Davi, por sua vez, não é um estreante na política. Ex-deputado estadual, já disputou o Senado em 2022 e terminou a eleição em segundo lugar, derrotado por Renan Filho. Agora, volta à disputa com presença eleitoral na capital e capacidade de buscar votos entre eleitores de direita, o que pode colocá-lo novamente na briga por uma cadeira.

Renan Calheiros enfrenta uma equação diferente. Sua principal força está no interior, onde seu grupo mantém uma ampla rede de aliados. A eleição de dois senadores, no entanto, reduz o peso de uma base eleitoral isolada: além de garantir o próprio eleitor, cada candidato precisa disputar as combinações do segundo voto.

O resultado abre uma possibilidade incomum na política alagoana: Lira, Renan ou até os dois podem ficar sem mandato no Senado. Uma vitória de Marina e Davi significaria não apenas a troca de nomes nas duas cadeiras, mas uma mudança na distribuição de poder do Estado, com o fortalecimento de novos grupos diante de duas estruturas que há décadas ocupam posições centrais na política de Alagoas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Andreza Matais.