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Novo achado arqueológico paralisa obras em estação da Linha 6-Laranja

Por Gabrielle Gonçalves
Divulgação/Linha Uni

As obras da futura Estação 14 Bis-Saracura na Linha 6-Laranja do metrô foram paralisadas em razão de novos achados arqueológicos no canteiro de obras no Bixiga, na Bela Vista, na região central de São Paulo. A concessionária Linha Uni diz que aguarda novas diretrizes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para programar a retomada das atividades no local.

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Disco de folha de cobre encontrado durante obras da Linha 6-Laranja

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Vista geral da Área 6 onde se observa a exposição de estruturas de alicerces e pisos

Imagens obtidas pelo Metrópoles

As descobertas constam em um relatório enviado em julho ao Iphan por uma empresa de consultoria em arqueologia que acompanha as obras da Linha Uni. Segundo o documento, tratam-se de estruturas, incluindo alicerces de alvenaria, pisos cimentícios e estruturas de drenagem, bem como artefatos cuja disposição e características materiais indicam associação com práticas religiosas de matriz africana.

Os vestígios foram encontrados a cerca de 2,2 metros de profundidade. No terreno, segundo o Iphan, indícios apontam para a existência da estrutura de um possível terreiro e de outros objetos ligados à religiosidade afro-brasileira.

O local, chamado de Área 6, em continuidade às demais áreas investigadas, fica próximo à Área 4, onde já haviam sido encontrados vestígios históricos de um quilombo datado do século XIX: o Quilombo Saracura.

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Em 2022, um sítio arqueológico do Saracura já havia sido descoberto no terreno durante as escavações para construção da linha que deve ligar a Brasilândia ao centro de São Paulo. Por conta disso, a estação 14 Bis foi rebatizada para 14 Bis-Saracura. Mais tarde, o espaço também recebeu a antiga quadra da escola de samba Vai-Vai.

A descoberta, à época, fez com que as obras da Linha 6-Laranja fossem interrompidas na região em janeiro de 2023 para resgate dos materiais.

Em nota, a concessionária Linha Uni diz que aguarda recomendação do Iphan para saber o tratamento a ser dado aos materiais encontrados. Somente a partir dessa definição será possível replanejar o sequenciamento das atividades no local, segundo a empresa.

“A Concessionária segue rigorosamente as orientações do órgão, a quem cabe definir os procedimentos a serem adotados, e mantém diálogo permanente com as autoridades competentes e com a comunidade local”, acrescentou a Linha Uni.

Movimentos sociais defendem a “musealização” da estação de metrô. Estações integradas a museus arqueológicos já são realidade em países como a Grécia, Espanha e Áustria.

Linha 6-Laranja

Após oito anos de atraso em relação à previsão do projeto original, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) inaugurou, no mês passado, o primeiro trecho da Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo, que ligará a zona norte ao centro da capital paulista quando for totalmente concluída, no fim de 2027. O investimento total previsto é de R$ 19 bilhões.

As primeiras estações em funcionamento são João Paulo I, Freguesia do Ó, Santa Marina, Água Branca, Sesc-Pompeia e Perdizes, que atualmente atuam em operação assistida. Elas funcionam em horário reduzido, das 10h às 15h, somente em dias úteis. Nessa fase, o intervalo médio entre os trens, segundo o governo de São Paulo, é de 19 minutos.

Ainda de acordo com o governo paulista, a previsão é de que mais duas estações sejam inauguradas ainda este ano: Brasilândia e Itaberaba-Hospital Vila Penteado, ambas na zona norte da capital. Quando estiver completo, o modal deverá ligar a Brasilândia, na zona norte, até a estação São Joaquim, da Linha 1-Azul, no centro de São Paulo.

A entrega de obras atrasadas que foram herdadas pelo atual governo virou um trunfo eleitoral de Tarcísio, que tentará a reeleição em outubro deste ano. No caso da Linha 6, o contrato original foi assinado em 2013, pelo então governador Geraldo Alckmin (PSB) — atual vice-presidente da República—, e a promessa era concluir os 15,3 km de extensão e as 15 estações em 2018.

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No meio do percurso, as empreiteiras contratadas para executar a obra bilionária — Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC — se afundaram no escândalo de corrupção descoberto pela Operação Lava Jato, e a construção foi paralisada. O projeto só foi retomado em 2020, na gestão João Doria, quando um novo contrato foi assinado com a construtora espanhola Acciona.

Como revelou o colunista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, o governo Tarcísio decidiu arcar com R$ 3,7 bilhões extras para que a Acciona conseguisse concluir a primeira fase da Linha 6 até outubro deste ano, a tempo da eleição.

Tarcísio tem explorado politicamente o fato de concluir obras com um longo histórico de atrasos — além da Linha 6-Laranja, o governador já entregou trechos do Rodoanel Norte e da Linha 17-Ouro do monotrilho. Nesses dois casos, o atual chefe do Palácio dos Bandeirantes citou a ineficiência das gestões anteriores e os casos de corrupção — hoje aliado do PT, Alckmin apoia a candidatura do ex-ministro Fernando Haddad contra Tarcísio em São Paulo.

A entrega do primeiro trecho da Linha 6, em 2 de julho, ocorreu poucos dias antes do prazo limite estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ocupantes de cargos públicos que disputarão a eleição em outubro participarem de inaugurações. Desde 5 de julho, os políticos não podem mais fazer essas agendas públicas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Gabrielle Gonçalves.