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PM diz não poder falar sobre celular desaparecido de tenente baleado

Por Alfredo Henrique
Arte/Metrópoles

Questionado pelo Metrópoles sobre o paradeiro do aparelho, o Centro de Comunicação Social da Polícia Militar (CCOMSOC) proibiu, na tarde dessa quarta-feira (29/7), qualquer manifestação do comando da Rota sobre o assunto, como consta em nota enviada à reportagem (veja galeria abaixo).

“A demanda não está autorizada a ser respondida ao solicitante”, diz trecho do comunicado.

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Arte/Alfredo Henrique/Metrópoles

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Golias durante fuga, acompanhado da esposa e de duas filhas, além de um homem

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Ronickson Pimentel dos Santos

Polícia Militar/Câmera de segurança/Reprodução7 de 8

Ronickson Pimentel, tenente da Rota baleado na cabeça, e a esposa, Cintia Pimentel

Reprodução/ Instagram8 de 8Reprodução/SSP

O aparelho é considerado uma prova que poderia eventualmente ajudar a compreender o atentado, como relataram à reportagem fontes que acompanham o caso.

Uma delas afirmou que o telefone estaria supostamente sob a guarda da própria corporação. “O que mais nos intriga é a motivação. A PM sabe”.

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A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi questionada sobre a situação, via e-mail, mas não se manifestou. O espaço segue aberto.

Ao longo do último mês, o tenente apresentou evolução clínica, mas segue internado em estado grave.

Seis celulares apreendidos

Uma câmera de monitoramento registrou que Pimentel foi baleado na cabeça por um único tiro disparado pelos criminosos, às 11h20, na altura do número 600 da Avenida Goiás.

Registros oficiais obtidos pela reportagem mostram que o caso foi repassado à PM às 11h28. O primeiro policial chegou ao local dois minutos depois. A ocorrência foi apresentada ao 1º Distrito Policial de São Caetano do Sul, delegacia responsável pela área, às 13h15, quase duas horas após o crime.

A relação de celulares apreendidos de pessoas implicadas na investigação soma seis aparelhos até o momento, conforme registros da Polícia Civil. Entre as duas apreensões mais recentes, ocorridas no último dia 24, consta o celular de Cláudia Ferreira Ramos, esposa de Hércules da Costa Siqueira, o Golias, apontado como o principal suspeito de atirar contra o oficial da Rota. O outro aparelho pertence a Vinícius Ferreira Alves de Souza, enteado do suposto atirador.

Golias seguia foragido até a publicação desta reportagem. A SSP oferece recompensa de R$ 50 mil por informações que ajudem a localizá-lo. O nome dele também foi incluído na Difusão Vermelha da Interpol.

Presos até o momento

Os demais aparelhos pertencem a pessoas investigadas ou suspeitas de envolvimento no caso, como Marcos Vinícius Dias Machado e Carlos Roberto Ferreira, presos temporariamente sob a suspeita de terem dado suporte logístico ao atentado.

Até o momento, quatro pessoas já foram detidas por suspeita de participação na estrutura montada para o crime. Nenhuma delas, porém, é apontada como autora do disparo. Entre os presos, está Luiz Henrique de Oliveira Nascimento, filmado, segundo a investigação, abandonando e limpando a motocicleta usada pelos criminosos.

Também foi preso Luis Altino da Silva, o Chuck. Ele teria contratado Luiz Henrique para desaparecer com a moto. Chuck se apresentou ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e afirmou que estava se entregando “para não morrer”.

Sete mortos pela Rota

Enquanto a Polícia Civil tenta esclarecer quem ordenou o atentado e por qual motivo, sete homens foram mortos por policiais da Rota durante ações associadas às buscas pelos envolvidos.

Em quatro dos seis boletins de ocorrência analisados pelo Metrópoles, os PMs disseram ter recebido denúncias que apontavam os homens como participantes do ataque. Até o momento, porém, não foi comprovada a ligação direta de todos eles com o crime.

As duas primeiras mortes ocorreram em 29 de junho, dois dias depois do atentado. Na Estrada Aricanduva, zona leste paulistana, um homem morreu depois de, segundo a versão dos policiais, atirar contra a equipe durante uma abordagem.

No mesmo dia, outro homem foi morto na Vila Galvão, em Guarulhos, região metropolitana. O registro policial afirma que ele teria feito menção de sacar uma arma ao ser abordado pela Rota.

Outras duas mortes foram registradas em 2 de julho. Uma ocorreu em Guaianases, na zona leste da capital, onde um homem teria reagido à abordagem dos policiais. A outra foi em Peruíbe, no litoral sul paulista, após uma perseguição que, segundo a PM, terminou em confronto.

A morte de Galego e Tetão

O morto em Peruíbe foi identificado como Elenilson Misael da Silva, o Galego, de 47 anos. Inicialmente, a Polícia Civil informou não haver elementos que o relacionassem diretamente ao atentado. Depois, investigadores apontaram que ele mantinha ligação com Golias, o qual teria hospedado durante a fuga.

Documentos obtidos pelo Metrópoles mostraram ainda que Galego teria utilizado uma certidão de nascimento falsa para criar uma segunda identidade e esconder o histórico criminal. Com o novo nome, ele obteve CPF, carteira de trabalho e título de eleitor.

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Em 10 de julho, a Rota matou Márcio dos Santos Ferreira, o Tetão, de 45 anos, em São Mateus, zona leste. Segundo a PM, uma denúncia apontava que um homem diretamente ligado ao atentado estaria escondido em uma residência.

A corporação afirmou que Tetão estava armado e houve confronto. Ele foi socorrido, mas morreu no hospital. Outro homem que estava no imóvel foi levado à delegacia.

Peça-chave silenciada

Entre os mortos, está Marcelo de Jesus Dias, o Nego Zum, apontado pela polícia como o piloto da motocicleta usada no atentado. Ele teria conduzido a moto ocupada pelo homem que se aproximou de Pimentel e atirou contra a cabeça do oficial.

Nego Zum foi morto pela Rota em 9 de julho, dentro de uma casa na favela de Heliópolis, zona sul paulistana. Outro homem, cuja identidade não foi divulgada, também foi morto no imóvel.

Como revelou o Metrópoles, Nego Zum era considerado peça-chave para que os investigadores descobrissem quem ordenou o atentado e qual teria sido a motivação. Fontes que acompanham a apuração afirmaram que a morte dele interferiu diretamente no avanço das investigações.

A Polícia Civil também não teve acesso imediato às imagens das câmeras corporais usadas pelos PMs que mataram o suspeito.

Ação premeditada

A morte de Nego Zum e o desaparecimento do celular de Pimentel atingem duas possíveis fontes de informação para esclarecer o motivo pelo qual criminosos acompanharam a rotina do tenente e tentaram executá-lo em plena luz do dia.

A Polícia Civil trabalha com a hipótese de uma ação premeditada, organizada e com divisão de tarefas. Imagens obtidas durante a investigação mostram que o oficial teria sido monitorado antes de ser baleado. Para os investigadores, houve participação de pessoas responsáveis pela execução, pela logística, pela fuga e pela ocultação de provas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Alfredo Henrique.