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PF investiga mensagens atribuídas a Lulinha e Roberta Luchsinger

Mensagens atribuídas ao filho do presidente e à lobista são analisadas pela Polícia Federal em investigação sobre suspeitas de tráfico de influência.

Samoel Andrade Por Samoel Andrade

A Polícia Federal tem em mãos mensagens atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e à lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeitas relacionadas a tráfico de influência e atuação junto a pessoas com acesso ao governo federal.

Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles, os diálogos foram obtidos no contexto das investigações e indicariam que Lulinha e Roberta conversavam sobre negócios e contatos com integrantes da estrutura do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O conteúdo, porém, está inserido em uma investigação em andamento e as mensagens, isoladamente, não estabelecem responsabilidade criminal.

Mensagens citam reuniões com integrantes do governo

De acordo com a reportagem, em uma conversa ocorrida em 22 de março de 2024, Roberta Luchsinger teria comentado com Lulinha sobre negócios e atuação profissional.

Na mesma conversa, segundo o material divulgado, Lulinha teria mencionado participação em reuniões com Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupava posição no gabinete presidencial, e Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.

As referências são analisadas pelos investigadores dentro do contexto mais amplo da apuração.

Investigação também envolve Roberta Luchsinger

Roberta Luchsinger é investigada por suspeitas de utilizar sua proximidade com pessoas ligadas ao presidente para facilitar negócios e acesso a integrantes do governo.

Segundo a reportagem, a Polícia Federal investiga também movimentações financeiras envolvendo a lobista e pessoas relacionadas ao caso.

Entre os elementos citados estão repasses que teriam alcançado R$ 1,5 milhão.

Uma dessas transferências teria sido acompanhada de uma mensagem na qual o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, teria mencionado que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”.

A interpretação de que a expressão poderia fazer referência a Lulinha é atribuída à investigação. Isso, contudo, não significa que essa interpretação esteja definitivamente comprovada pela Justiça.

Diálogos também citam Fernando Bittar

Outro nome mencionado nas conversas é Fernando Bittar, apontado como ex-sócio de Lulinha.

Segundo a reportagem, Roberta teria informado ao filho do presidente que Bittar estaria utilizando o nome de Lulinha durante uma tentativa de realizar um negócio envolvendo a Telebras.

Na conversa divulgada, Lulinha questionaria se a situação já havia sido desmentida.

Roberta teria respondido que negou a utilização do nome e afirmou que, caso Bittar realizasse determinado negócio com o presidente da Telebras, isso poderia afetar sua relação profissional com ela.

O episódio é apresentado pelos investigadores como parte dos elementos que precisam ser analisados para compreender a relação entre os envolvidos.

Defesa de Lulinha contesta divulgação

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva contestou a forma como as informações foram divulgadas.

Os advogados Marco Aurélio de Carvalho e Guilherme Suguimori afirmaram que Lulinha atualmente vive na Espanha e trabalha no setor privado.

Segundo os defensores, suas atividades não teriam relação direta ou indireta com o governo brasileiro.

A defesa também questionou a divulgação de informações que estariam protegidas por sigilo e afirmou que pretende solicitar apurações sobre possíveis vazamentos.

Os advogados sustentaram ainda que a quebra dos sigilos fiscal e bancário não teria apresentado prova ou indício de irregularidade.

Defesa afirma confiar na investigação formal

Em manifestação enviada ao Metrópoles, os advogados afirmaram que pretendem apresentar a defesa nos autos após terem acesso integral aos dados obtidos durante as quebras de sigilo.

A defesa também afirmou que considera necessário investigar a eventual existência de vazamentos seletivos de informações do inquérito.

O advogado Roberto Podval, que representa Roberta Luchsinger, não comentou o caso, alegando o sigilo da investigação.

PF também investiga presentes e pagamentos

Outro elemento mencionado na reportagem envolve a relação entre Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

Segundo a investigação citada pelo Metrópoles, a Polícia Federal suspeita que a lobista tenha comprado presentes e realizado pagamentos relacionados ao então integrante do gabinete presidencial.

Entre os elementos estão conversas sobre a compra de joias.

Conversas mencionam joias de diamante

Segundo a reportagem, em 29 de abril de 2024, Roberta e Marcola teriam conversado sobre joias.

Durante o diálogo, imagens de peças teriam sido compartilhadas e os interlocutores teriam discutido opções de presentes.

A investigação busca determinar o significado dessas operações e se os presentes tinham relação com uma eventual tentativa de obter influência ou acesso.

Segundo informações atribuídas à defesa de Marcola, as joias teriam custado R$ 9,2 mil e estariam relacionadas a um empréstimo de R$ 249 mil concedido por Roberta.

A defesa teria informado que o empréstimo foi posteriormente quitado com juros e correção.

Caso também se conecta às investigações sobre o INSS

O caso ganhou relevância no contexto das investigações relacionadas ao esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS.

O empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, é um dos personagens investigados nesse conjunto de apurações.

A Polícia Federal busca esclarecer as relações financeiras e os possíveis vínculos entre diferentes pessoas citadas nos procedimentos.

A existência de contatos, transferências ou reuniões, entretanto, não é suficiente por si só para comprovar a prática de um crime. Cabe à investigação reunir elementos, ouvir os envolvidos e verificar a legalidade das condutas.

O que está comprovado e o que ainda é investigado?

É importante fazer uma distinção entre as informações apresentadas na reportagem e conclusões judiciais.

Segundo o material divulgado:

  • existem mensagens atribuídas a Lulinha e Roberta Luchsinger em poder dos investigadores;
  • Roberta é alvo de investigação;
  • a Polícia Federal analisa movimentações financeiras e contatos entre pessoas relacionadas ao caso;
  • diálogos mencionam integrantes ou ex-integrantes da estrutura do governo;
  • a defesa de Lulinha nega irregularidades e questiona possíveis vazamentos;
  • a defesa de Marcola apresentou uma explicação sobre o pagamento das joias.

Ainda está em investigação:

  • se houve efetivamente tráfico de influência;
  • se pagamentos ou presentes tiveram relação com obtenção de vantagens;
  • se Lulinha participou de alguma irregularidade;
  • qual era exatamente a finalidade dos negócios mencionados nas mensagens;
  • e se houve qualquer crime por parte dos envolvidos.

Investigação deve avançar sob sigilo

O caso permanece sob investigação e envolve informações protegidas por sigilo.

A análise das mensagens deverá considerar o contexto completo das conversas, movimentações financeiras, reuniões e demais elementos reunidos pelos investigadores.

Eventuais responsabilidades criminais somente poderão ser estabelecidas pelas autoridades competentes após o devido processo legal.