
Um levantamento realizado pela Feira Internacional para Água, Esgoto, Drenagem e Soluções em Recuperação de Resíduos (IFAT Brasil) aponta que 89,5% dos moradores do Acre não possuem acesso à rede de esgoto, evidenciando um cenário crítico de saneamento básico no estado. Além disso, 52% da população também não é atendida pela rede de água, refletindo a precariedade na infraestrutura que afeta mais de 880 mil habitantes.
A IFAT Brasil, que reúne especialistas e investidores do setor, está programada para acontecer em junho de 2025 no Brasil. O evento tem como objetivo discutir e propor soluções para desafios como os enfrentados no Acre.
Investimentos previstos

Segundo Daniela Tamwing, diretora de planejamento do Saneacre, a obra da ETE Redenção deve ser concluída até janeiro de 2025. No interior, a prioridade é realizar estudos para a implantação de sistemas de esgotamento sanitário em municípios como Cruzeiro do Sul, o segundo maior do estado. Com recursos de R$ 2 milhões em parceria com o governo federal, o projeto busca aumentar a cobertura de saneamento.
Além disso, o estado garantiu R$ 72 milhões no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para ampliar os sistemas de abastecimento de água em diversas localidades.
Em novembro de 2024, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC) notificou 20 municípios acreanos, exigindo a elaboração de planos de saneamento básico e gestão de resíduos sólidos. As prefeituras têm 180 dias para apresentar as diretrizes, sob pena de multas.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) também foi acionada para garantir a execução do Plano Estadual de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, em conjunto com os municípios.
Apenas a capital possui sistema ativo
Embora dados do IBGE indiquem que Rio Branco, Bujari e Brasileia possuíam serviços de esgotamento sanitário em 2021, especialistas afirmam que apenas a capital possui um sistema funcional. O engenheiro ambiental Clautevir Lima, do Instituto Federal do Acre (Ifac), destaca que o déficit de saneamento no estado é consequência da falta de investimentos e da dependência dos municípios de recursos estaduais e federais.
Lima alerta que possuir um Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) é fundamental para acessar recursos federais e melhorar a infraestrutura local. “É essencial que os gestores priorizem o saneamento, mesmo sendo uma área de alto custo e pouca visibilidade política”, concluiu o especialista.
Com informações do G1 ACRE.



