O avanço das águas do Rio Juruá já provoca impactos em Cruzeiro do Sul, onde o nível atingiu 14,10 metros nesta sexta-feira (3). Com a elevação de 14 centímetros em relação ao dia anterior, mais de 20 famílias foram retiradas de casa e passaram a depender de apoio da prefeitura.
Ao todo, 21 famílias estão acolhidas em abrigos públicos, enquanto outras três buscaram refúgio em residências de parentes. A cheia afeta 4.991 famílias e cerca de 19,6 mil pessoas, direta ou indiretamente, alcançando 12 bairros, 15 comunidades rurais e três vilas.
A retirada dos moradores começou na tarde da última terça-feira (31). Nos abrigos, a prefeitura garante alimentação — com café da manhã, almoço e jantar — além de assistência social. Como medida preventiva, o fornecimento de energia elétrica foi interrompido para 323 famílias.
Caso o número de atingidos aumente, outras escolas já foram definidas como pontos de acolhimento, entre elas as unidades Rita de Cássia, Marcelino Champagnat, Padre Arnould, Corazita Negreiros e a Escola Estadual Cívico-Militar Madre Adelgundes Becker. As aulas nesses locais serão suspensas à medida que passarem a receber moradores afetados.
A Defesa Civil também monitora a elevação de outros rios da região, como Croa, Juruá Mirim e Valparaíso. Na área urbana, bairros como Remanso, Várzea, Olivença, Miritizal, Beira Rio e Centro estão entre os atingidos. Já na zona rural, comunidades como Centrinho, Tapiri, Humaitá do Moa e Praia Grande também enfrentam impactos. Vilas como Lagoinha, Assis Brasil e Santa Rosa completam a lista de locais afetados.
Historicamente, o período de maior incidência de cheias no município ocorre entre o fim de fevereiro e o início de março, embora episódios também sejam registrados em abril. Nos últimos anos, as primeiras remoções costumam ocorrer quando o nível do rio varia entre 13,50 e 13,60 metros.
Cheias recentes
Em 17 de janeiro deste ano, uma enchente atingiu cerca de 1.650 famílias, o equivalente a aproximadamente 6,6 mil pessoas. Desse total, ao menos 139 famílias ficaram sem energia elétrica e sem acesso à água potável. A situação começou a normalizar cinco dias depois, em 22 de janeiro.
No dia 31 de janeiro, o Rio Juruá voltou a ultrapassar a cota de transbordo, registrando 13,12 metros. Em 2 de fevereiro, o nível subiu ainda mais, chegando a 13,49 metros e mantendo o município em alerta máximo. Na ocasião, mais de 6 mil moradores foram impactados.
Diante do cenário, a prefeitura decretou situação de emergência em 20 de janeiro, com publicação oficial seis dias depois, após fortes chuvas que elevaram o nível dos rios e afetaram áreas urbanas e rurais.
A ocorrência mais recente antes da atual foi registrada em 24 de fevereiro, quando o rio atingiu 13,17 metros, impactando nove bairros e oito comunidades rurais.
Com informações do G1 Acre.




