Um estudo do Ranking dos Políticos aponta que os seis planos de governo analisados na disputa pela Presidência da República não alcançam, nos cenários avaliados, o resultado necessário para estabilizar a dívida pública. Segundo a análise, planos de governo dos candidatos à Presidência sobre dívida pública em 2026 foram submetidos a critérios de custo, economia e compatibilidade com as restrições orçamentárias atualmente vigentes.
O levantamento analisou 1.297 propostas apresentadas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante).
Apenas 478 propostas passaram pelo teste fiscal
Das 1.297 propostas analisadas, 478 puderam ser submetidas ao teste elaborado pelo estudo.
Entre elas, 217 foram classificadas como viáveis, 249 como parcialmente viáveis e 12 como inviáveis, de acordo com os critérios utilizados na análise.
Das 12 propostas consideradas inviáveis, nove pertencem ao plano do Partido Missão e três ao plano do Partido Liberal.
O próprio estudo ressalta que a concentração das propostas consideradas inviáveis nesses dois programas está relacionada ao fato de eles apresentarem valores explícitos para compromissos de maior volume.
Assim, o número não deve ser interpretado isoladamente como uma avaliação geral da qualidade dos programas, já que grande parte das propostas não pôde ser mensurada pelo método utilizado.
Como os seis planos foram avaliados
O estudo apresentou uma análise individual dos programas dos seis candidatos considerados.
No caso de Romeu Zema, o levantamento apontou que o cenário projetado para seu plano é o único cuja faixa de resultados chega a cruzar o nível zero em determinado momento. A análise, entretanto, relaciona esse resultado à necessidade de uma reforma previdenciária cujos efeitos mais significativos ocorreriam depois do período de mandato.
Augusto Cury aparece logo depois na avaliação apresentada pelo estudo. O candidato é apontado como o único entre os analisados a apresentar uma meta fiscal própria. Mesmo assim, segundo o levantamento, a meta não seria suficiente para alcançar a estabilização da dívida.
O plano de Ronaldo Caiado, por sua vez, foi descrito como metodologicamente claro em relação às consequências fiscais das propostas. A análise questiona, porém, o desenho da regra fiscal apresentada pelo candidato, considerada menos restritiva que o arcabouço atualmente vigente. O estudo também aponta que o programa não detalharia de maneira concreta quais despesas seriam reduzidas para financiar as medidas.
Análise do plano de Lula teve limitações de mensuração
No caso de Luiz Inácio Lula da Silva, o estudo afirma que diversas propostas analisadas ampliam ou preservam despesas públicas.
Entretanto, apenas 29% das propostas do programa puderam ser classificadas dentro dos critérios estabelecidos. Por isso, o próprio levantamento ressalta que o resultado representa somente aquilo que foi possível mensurar.
Essa ressalva é importante porque uma análise baseada apenas nas propostas quantificáveis não necessariamente representa todos os efeitos fiscais de um programa de governo.
Flávio Bolsonaro aparece na última posição do levantamento
O plano de Flávio Bolsonaro aparece na última posição da classificação apresentada pelo Ranking dos Políticos.
O próprio estudo, porém, faz uma ressalva metodológica: a posição não deve ser interpretada como uma avaliação completa do programa, mas como resultado das propostas que puderam ser mensuradas de acordo com os critérios adotados.
Essa distinção é relevante porque o levantamento não atribui notas gerais aos candidatos nem avalia questões como mérito político, constitucionalidade ou capacidade de aprovação das medidas.
Renan Santos teve nove propostas classificadas como inviáveis
Entre os seis programas analisados, o plano de Renan Santos, do Partido Missão, concentrou nove das 12 propostas classificadas como inviáveis pelo teste.
Segundo a metodologia divulgada, a classificação levou em conta os custos ou economias estimados e a compatibilidade com as restrições orçamentárias.
O estudo ressalta que isso não significa necessariamente que o plano seja mais ambicioso que os demais. A explicação apresentada é que os programas do Missão e do PL foram aqueles que atribuíram cifras explícitas a compromissos de maior volume.
Qual foi a metodologia utilizada
Para realizar a comparação, cada programa foi confrontado com o cenário apresentado no Relatório de Acompanhamento Fiscal nº 113 da Instituição Fiscal Independente (IFI), publicado em junho de 2026.
Também foram consideradas duas restrições fiscais em vigor: o limite de crescimento real das despesas estabelecido pelo arcabouço fiscal e a chamada regra de ouro prevista na Constituição.
O uso do mesmo cenário-base para os seis programas foi adotado para permitir a comparação entre as propostas.
A análise, portanto, não procurou determinar qual candidato possui o melhor programa. O foco foi exclusivamente verificar como as propostas mensuráveis se comportariam diante das restrições fiscais consideradas pelo estudo.
O desafio fiscal chega a R$ 342 bilhões por ano
Além da comparação entre os programas, o levantamento destaca o tamanho do desafio fiscal que estará diante do próximo governo.
Segundo a estimativa citada da Instituição Fiscal Independente, seria necessário alcançar um superávit primário equivalente a 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) para estabilizar a dívida bruta.
Para 2026, entretanto, a projeção mencionada no estudo aponta para um resultado primário negativo equivalente a 0,4% do PIB.
A diferença entre os dois números representa um esforço fiscal adicional de aproximadamente 2,5 pontos percentuais do PIB.
Em valores, o estudo estima que isso corresponde a aproximadamente R$ 342 bilhões por ano.
Esse cálculo representa o esforço fiscal apontado para o cenário-base antes mesmo de serem consideradas novas promessas de despesas feitas durante a campanha.
Dívida pública será um dos desafios do próximo governo
O resultado apresentado pelo estudo coloca a trajetória da dívida pública entre os principais desafios econômicos para o próximo governo federal.
A análise também evidencia uma diferença importante entre apresentar propostas e demonstrar como elas serão financiadas dentro das restrições orçamentárias.
No entanto, o próprio levantamento ressalta que seu resultado deve ser interpretado dentro dos critérios utilizados. Nem todas as propostas puderam ser quantificadas, e o teste não considerou aspectos políticos, jurídicos ou sociais.
Assim, os dados oferecem uma fotografia específica da dimensão fiscal mensurável dos programas analisados, sem substituir uma avaliação integral das plataformas dos candidatos.




