Não há, na história recente, ataque semelhante ao que vem impondo ao Brasil o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. De forma descarada, ele se dá ao direito de chantagear um país soberano porque um afeto dele, Jair Bolsonaro, está sendo submetido aos rigores da lei. Desde quando uma nação soberana, uma das maiores democracias do mundo, tem de dar satisfações a um dirigente de outro país porque o seu Judiciário está cumprindo a lei?
Trump, que, como já disse o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, está se colocando como “imperador do mundo”, diz que Bolsonaro está sendo submetido a uma “caça às bruxas”. Como assim? O ex-presidente brasileiro tentou, por diversas vezes, subverter a ordem e dar um golpe de Estado no Brasil para se perpetuar no poder. Ele próprio confessou, em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF), que teve em suas mãos uma minuta de golpe.
Primeiro, o presidente dos Estados Unidos impôs tarifas de 50% a todos os produtos brasileiros que são exportados para aquele país. Trump, inclusive, estabeleceu um prazo para que o Judiciário brasileiro peça arrego: 1º de agosto. O líder da extrema-direita norte-americana usou um instrumento econômico para chantagear um país soberano com o intuito de favorecer um acusado de atentar contra o Estado Democrático de Direito.
Como o Brasil se manteve altivo e não se curvou “às ordens” de Trump, que disse poder tudo, e o Supremo Tribunal Federal atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para colocar uma tornozeleira eletrônica em Bolsonaro a fim de evitar que ele fuja do país, agora, os Estados Unidos decidiram proibir a entrada, em seu território, dos ministros da mais Alta Corte brasileira. O alvo principal dessa medida é o ministro Alexandre de Moraes, responsável pelos processos contra Bolsonaro.
Trump acredita que, radicalizando, dobrará o Brasil a fazer o que querem Bolsonaro e família. O filho 03, que está nos Estados Unidos, alardeia pelas redes sociais que “não haverá recuo”. Na insignificância dele, acredita que realmente os brasileiros vão abrir mão da soberania do país para salvar alguém acusado de crimes seríssimos? O Brasil é muito maior do que a família Bolsonaro, que, ao longo de anos, se especializou em sugar o sistema público.
A democracia brasileira é tão sólida e os Poderes constituídos, independentes, que, se estivesse no Brasil, Donald Trump estaria sendo julgado e, muito provavelmente, seria condenado pelo ataque de 6 de janeiro de 2021, quando incentivou uma horda de malucos a invadir o Capitólio para impedir a posse de Joe Biden e permanecer no poder. Trump, com a cretinice que lhe é característica, deve apreender de vez que o Brasil não é uma República das Bananas.
(Transcrito do PÚBLICO-Brasil)




