O Supremo Tribunal Federal (STF) avalia, nesta sexta-feira (12/12), se referenda ou não a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que anulou a deliberação da Câmara dos Deputados e decretou a perda imediata do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). A análise será feita em plenário virtual extraordinário da Primeira Turma, das 11h às 18h.
Com a abertura, os outros ministros da Turma vão votar se concordam com a decisão de Moraes, após a Câmara decidir manter o mandato de Zambelli, à revelia de uma decisão anterior do STF, que a condenou a 10 anos de prisão e determinou a perda do cargo.
Carla Zambelli, presa na Itália, deletou sua conta no X após desbloqueio determinado por Moraes
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Carla Zambelli
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Carla Zambelli está presa na Itália
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Justiça da Itália pede a Moraes informações sobre prisão de Zambelli
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Carla Zambelli
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Decisão da Câmara
Na madrugada dessa quinta (11/12), 227 deputados votaram a favor da perda do mandato de Zambelli e 110 contra, com 10 abstenções. O número, no entanto, ficou abaixo dos 257 votos necessários e, por isso, a representação foi arquivada na Casa.
A decisão de manter Zambelli contrariou parecer do relator Claudio Cajado (PP-BA) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ele defendeu a cassação por “incompatibilidade absoluta” entre o encarceramento em regime fechado e o exercício do mandato parlamentar. O parlamentar questionou como uma deputada presa poderia comparecer a sessões e cumprir atividades legislativas.
Mesmo com o parecer, o plenário rejeitou a perda do mandato – movimento que acendeu alerta entre ministros do STF.
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Pressão jurídica
Como apurou o Metrópoles, integrantes do Supremo viram na decisão uma “afronta” ao Judiciário e temeram desdobramentos para outros casos, como o do deputado Alexandre Ramagem,(PL-RJ), igualmente condenado pelo STF e que também aguarda análise de perda de mandato pela Câmara, prevista para ser votada na próxima quarta-feira (17/12), em plenário.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, ingressou, na tarde dessa quinta, com um mandado de segurança no STF, pedindo que a perda do mandato de Zambelli e de Ramagem fosse decretada em até 24 horas. Para ele, houve “omissão” do Legislativo e descumprimento de uma decisão judicial transitada em julgado.
Decisão de Moraes
Ao derrubar o resultado do plenário da Câmara, Moraes afirmou que a Constituição atribui ao Judiciário, e não ao Legislativo, a competência para decretar a perda do mandato de parlamentar condenado criminalmente com sentença definitiva. “À Mesa Diretora cabe apenas declarar a perda, em ato administrativo obrigatório”, escreveu
Ainda para o magistrado, a recusa dos deputados configurou “clara violação” ao artigo 55 da Constituição, além de “desvio de finalidade” e afronta aos princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade.
Na mesma decisão, Moraes determinou que o presidente da Câmara, Hugo Motta, efetive a posse do suplente de Zambelli em, no máximo, 48 horas. A vaga deverá ser ocupada por Adilson Barroso (PL-SP).
Reação no bolsonarismo
A derrubada da votação da Câmara por Moraes revoltou parlamentares bolsonaristas, que condenaram a ação do ministro.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), chamou Moraes de “ditador psicopata” e acusou o ministro de promover “abuso absoluto de poder”. Nikolas Ferreira (PL-MG) também falou em “ditadura” e sugeriu que o Congresso fosse “fechado”.
Michelle Bolsonaro (PL-DF), usou as redes sociais para comentar a decisão. “É… Congresso. Infelizmente, é triste ver vocês tão enfraquecidos e de joelhos diante de tanta arbitrariedade”, escreveu ela.
Foragido nos Estados Unidos e condenado pelo STF, Alexandre Ramagem (PL-RJ) afirmou que Moraes age como “rei do Brasil”, chamando-o de “descontrolado”.
Nos bastidores, como noticiado pelo Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, deputados do Centrão e governistas avaliam que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não terá alternativa a não ser cumprir a ordem do STF e declarar a vacância do mandato, dando posse ao suplente.


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