Um TCC de Direito sobre Elize Matsunaga e Eliza Samudio chamou atenção no Ceará após receber nota máxima em uma universidade estadual. O trabalho da estudante Clara Emilly de Souza analisa como a cobertura da imprensa transformou dois casos criminais envolvendo mulheres em episódios de grande repercussão pública.
Clara é estudante de Direito da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e intitulou o trabalho de “Antes Elize do que Eliza: A violência de gênero e a escandalização midiática do processo penal nos casos Elize Matsunaga e Eliza Samudio”.
Para desenvolver a análise, Clara recorreu a conceitos relacionados à sociedade do espetáculo, incluindo ideias dos pensadores Guy Debord e Rubens Casara.
A escolha do tema também teve relação com a experiência da estudante durante sua atuação na Defensoria Pública do Ceará. O contato com vítimas de violência ajudou a despertar o interesse pela forma como mulheres procuram as instituições de proteção e como a sociedade reage diante desses casos.
A repercussão do trabalho, no entanto, não ficou restrita ao ambiente acadêmico. Após a divulgação do TCC, Clara recebeu críticas nas redes sociais, principalmente de homens.
A estudante afirmou que o objetivo da pesquisa não é fazer apologia ao crime, mas discutir a maneira como casos envolvendo mulheres são apresentados ao público e como isso pode influenciar a percepção social sobre violência de gênero e sobre as próprias vítimas.
O orientador do trabalho também destacou a importância do debate levantado pela pesquisa e avaliou positivamente a abordagem crítica adotada pela estudante.
A nota 10 concedida pela banca colocou o trabalho em evidência e fez o tema ultrapassar os limites da universidade. A pesquisa passou a chamar atenção justamente por utilizar dois casos que permanecem presentes no imaginário brasileiro para discutir os efeitos da exposição midiática, do julgamento social e da violência contra as mulheres.
A proposta central do estudo é questionar até que ponto a cobertura de crimes deixa de apenas informar e passa a influenciar a forma como vítimas e acusados são julgados pela sociedade.
Com informações via UOL.




