ACRE

Samu registra quase mil trotes em 2026 e alerta para risco no atendimento de emergências

Chamadas falsas mobilizam ambulâncias e podem atrasar o socorro de pessoas em situação real de emergência.

Camila Souza Por

Os trotes ao Samu no Acre em 2026 já somam cerca de mil registros apenas nos primeiros seis meses do ano, segundo dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O número preocupa as equipes de atendimento porque compromete a capacidade de resposta em ocorrências reais e pode colocar vidas em risco.

Entre janeiro e junho deste ano, a Central de Regulação recebeu mais de 40 mil ligações pelo número 192. Desse total, aproximadamente mil chamadas foram identificadas como trotes.

Além de representar desperdício de recursos públicos, a prática é considerada crime e pode resultar na responsabilização dos autores. Em muitos casos, ambulâncias e equipes são deslocadas para locais onde não existe nenhuma ocorrência, enquanto pessoas que realmente necessitam de socorro aguardam atendimento.

De acordo com o médico regulador do Samu, Junior Pereira, algumas ligações falsas apresentam relatos bastante convincentes, dificultando a identificação imediata do trote.

“Recebemos chamadas com relatos muito convincentes, o que leva ao envio dos nossos melhores recursos para locais onde não há nenhuma ocorrência. Enquanto isso, uma pessoa em situação real de emergência pode ficar aguardando atendimento”, explicou.

O profissional também fez um alerta aos pais e responsáveis para que orientem crianças e adolescentes sobre os impactos desse tipo de prática, principalmente durante o período de férias escolares, quando normalmente ocorre aumento nos registros.

Segundo ele, muitos dos trotes são feitos como brincadeira, sem que os autores compreendam os prejuízos causados ao serviço e às pessoas que dependem do atendimento emergencial.

O médico destacou ainda que todas as chamadas realizadas para o número 192 ficam registradas no sistema, o que contribui para a identificação de ligações indevidas.

“Pedimos responsabilidade no uso desse recurso público. O Samu trabalha com vidas, e a vida que pode estar precisando de atendimento amanhã pode ser a sua ou a de um familiar”, reforçou.