Procuradores da Lava Jato em SP renunciam em massa

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Sete procuradores que integram a força-tarefa da Lava Jato em São Paulo encaminharam ontem, ao procurador-geral da República Augusto Aras, seu pedido de desligamento da operação até o fim do mês. Eles argumentam que seu trabalho se tornou inviável após assumir o comando Viviane de Oliveira Martinez, indicada por Aras. “Os signatários consideram inusitado que uma Procuradora com menos de dois meses de força-tarefa, e sem um forte engajamento com os casos, se colocasse como se já conhecesse em detalhes o complexo emaranhado de fatos sob responsabilidade da Lava Jato paulista, a ponto de dizer que investigações que se propunham não seriam conexas às que vinham sendo conduzidas”, escreveram. Martinez havia pedido à Procuradoria-Geral que redistribuísse várias das investigações por não estarem realmente ligadas ao objetivo inicial.

Um dos pedidos de Martinez foi o de adiar a operação que atingiria o senador José Serra. A investigação já vinha de meses antes e a procuradora não apresentou qualquer razão jurídica para fundamentar o adiamento.

O esvaziamento da Lava Jato vem de algum tempo e uma das conversas que a Polícia Federal encontrou no celular do ex-ministro Sérgio Moro o mostra. O presidente Jair Bolsonaro cobrava dele uma notícia em que o ministro, diferentemente da Advocacia-Geral da União, argumentara que a polícia poderia prender pessoas que descumprissem o isolamento ainda no início da pandemia. “Se esta matéria for verdadeira”, escreveu o presidente, “caso queira contrariar o PR, pode fazê-lo, mas tenha dignidade de se demitir.” Bolsonaro já tentava colocar Moro para fora, diminuindo seu tamanho. “O que existe é o artigo 268 do CP”, respondeu o ainda ministro. Moro se demitiria no mesmo mês.

 

Com informações (Globo e Estadão)

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