3 de junho de 2026

Câmara dos Deputados vota hoje projeto que permite suspensão de mandatos por quebra de decoro

Câmara dos Deputados vota hoje projeto que permite suspensão de mandatos por quebra de decoro

A Câmara dos Deputados votará nesta quarta-feira (12) o projeto de resolução 32/24, que permite à Mesa Diretora suspender o mandato de deputados federais acusados de quebra de decoro parlamentar por até seis meses. A urgência do projeto foi aprovada ontem por 302 votos contra 142, com a promessa de votar o mérito do texto hoje.

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O projeto enfrenta resistência de alguns parlamentares que temem que a medida conceda poder excessivo à Mesa Diretora. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), defende a proposta como uma necessidade para conter comportamentos inapropriados após uma série de agressões verbais e quase físicas.

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) criticou a medida, argumentando que ela poderia ser usada para perseguir adversários políticos. “Quer dizer que agora o Presidente da Câmara vai poder, de forma cautelar, determinar o afastamento de um parlamentar do seu mandato? Vai-se ampliar dessa forma o poder do Presidente da Câmara, junto com a Mesa Diretora, para afastar um deputado federal, para que depois o Conselho de Ética venha se manifestar sobre o caso?”, questionou Braga.

Os partidos PSOL, Rede, Novo, além da oposição, se posicionaram contra o texto. O PL, maior partido da casa, liberou a bancada, resultando em 68 votos contrários e 16 favoráveis à urgência entre seus 91 deputados.

Defendida por Arthur Lira, a proposta visa a criar uma medida cautelar para casos graves de quebra de decoro. “Não há nenhuma usurpação de competência. A única alteração é uma medida cautelar para casos gravíssimos como os que aconteceram e vêm acontecendo reiteradas vezes nesta Casa. E quem tem juízo sabe que o limite já foi extrapolado há muito tempo”, afirmou Lira.

Segundo o projeto, a Mesa Diretora, composta por 11 parlamentares, poderá representar contra deputados por quebra de decoro, suspendendo o mandato por até seis meses. O Conselho de Ética será informado e terá 15 dias para acolher ou rejeitar a suspensão, que terá prioridade nas suas deliberações. A decisão do Conselho poderá ser objeto de recurso ao plenário da Câmara no prazo de até cinco sessões.

Além disso, a proposta confere aos presidentes das comissões os mesmos poderes do presidente da Câmara para manter a ordem durante as reuniões, podendo aplicar advertências ou censuras a deputados que perturbem os trabalhos.

Atualmente, apenas o plenário da Câmara pode suspender um deputado após decisão do Conselho de Ética. A mudança foi proposta por Arthur Lira após recentes embates entre parlamentares, incluindo um quase confronto físico entre os deputados André Janones (Avante-MG) e Nikolas Ferreira (PL-MG), e um incidente que resultou na internação da deputada Luiza Erundina.

Via Agência Brasil.