4 de junho de 2026

Presidente do STM afirma que Bolsonaro pode perder patente militar se condenado por crimes militares

Presidente do STM afirma que Bolsonaro pode perder patente militar se condenado por crimes militares

A nova presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha, afirmou nesta quarta-feira (12) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) poderá perder sua patente de capitão caso seja condenado pela Justiça Militar.

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“Após o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), a Justiça Militar poderá se pronunciar e, talvez, até antes, por meio dos Conselhos de Justificação, pois não tenho dúvidas de que crimes militares surgirão”, declarou a ministra.

Para que a perda da patente ocorra, o Ministério Público Militar (MPM) precisaria apresentar acusações formais contra Bolsonaro. No entanto, até o momento, não há investigações abertas contra o ex-presidente nessa instância.

Maria Elizabeth Rocha esclareceu que o STM julga apenas crimes militares e não crimes comuns. Caso haja indícios de infrações dessa natureza, Bolsonaro poderia ser submetido a um Conselho de Justificação, que avalia a conduta de oficiais. Entre os possíveis crimes militares, a ministra mencionou incitação à tropa, mas destacou que qualquer apuração dependerá do andamento das investigações conduzidas pelo STF.

“Se for o caso, ele poderá ser julgado por crimes militares. Tudo dependerá da apuração penal que tramita no Supremo Tribunal Federal”, explicou.

A declaração ocorreu após a cerimônia de posse da ministra como presidente do STM, realizada no Teatro Nacional de Brasília. Maria Elizabeth Rocha é a primeira mulher a ocupar o cargo e foi nomeada para o tribunal em 2007 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ao ser questionada sobre possíveis crimes militares cometidos por Bolsonaro, a magistrada afirmou que identificou indícios, mas evitou citar quais seriam, ressaltando que essa é uma atribuição do Ministério Público Militar.

“Eu identifico alguns, mas essa não é minha função. Cabe ao Ministério Público Militar oferecer a denúncia. Se ainda não houve manifestação formal, seria um prejulgamento da minha parte mencionar quais crimes estão em questão”, disse.

A ministra também destacou que qualquer decisão da Justiça Militar sobre acusações contra Bolsonaro só poderá ocorrer após o trânsito em julgado dos processos, ou seja, quando não houver mais possibilidade de recursos.

Denúncia da PGR e investigações em andamento

A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao STF uma denúncia envolvendo 24 militares, incluindo almirantes, alegando que Bolsonaro liderava uma organização criminosa com o objetivo de permanecer no poder a qualquer custo.

Segundo a denúncia, o grupo teria elaborado um plano para assassinar o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes. O caso segue sob investigação e pode ter desdobramentos na Justiça Militar caso sejam identificados crimes dessa competência.

Com informações da CNN Brasil.