2 de julho de 2026

Levantamento do IBGE revela que mais de 34 mil pessoas vivem em unidades de conservação no Acre

Levantamento do IBGE revela que mais de 34 mil pessoas vivem em unidades de conservação no Acre
Foto: Alexandre Cruz-Noronha/Sema

Um levantamento inédito divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que 34.394 pessoas vivem atualmente em unidades de conservação (UCs) no Acre. O número representa 4,14% da população do estado e traz dados fundamentais para orientar políticas públicas e estratégias voltadas às comunidades que habitam essas áreas protegidas.

O estudo, baseado no Censo Demográfico de 2022 e divulgado no último dia 11 de julho, detalha pela primeira vez o número de moradores por unidade de conservação, tornando-se uma ferramenta estratégica para o planejamento do poder público em todos os níveis.

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O Acre possui nove unidades de conservação sob gestão estadual:

  • APA Lago do Amapá

  • APA Igarapé São Francisco

  • Floresta Estadual do Rio Liberdade

  • Floresta Estadual do Mogno

  • Floresta Estadual do Rio Gregório

  • Floresta Estadual do Antimary

  • Floresta Estadual do Afluente

  • ARIE Japiim Pentecoste

  • Parque Estadual Chandless

Além disso, existem 11 unidades sob responsabilidade federal, entre elas a Reserva Extrativista Chico Mendes, a Reserva do Alto Juruá e o Parque Nacional da Serra do Divisor.

Do total de habitantes em áreas de conservação no estado, 24.551 vivem em unidades federais e 9.842 em áreas sob gestão estadual. Mesmo nas áreas de domínio da União, o governo do Acre atua com parcerias e ações integradas para garantir a presença efetiva do Estado nessas localidades.

Diversidade e realidade social

Biodiversidade Parque Estadual Chandless. Foto Ricardo Plácido

Segundo o levantamento, o Acre tem 72,58% da população residente nas UCs autodeclarada parda. O estado também se destaca pela grande proporção de moradores em situação rural: 80,65% desse grupo vive em áreas afastadas dos centros urbanos.

A gestora adjunta da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Renata Souza, destacou que o conhecimento detalhado dessas populações é essencial para garantir políticas públicas eficazes. “Esses dados nos ajudam a entender quem são essas pessoas, como vivem e quais são suas necessidades. A partir disso, podemos articular ações de conservação, inclusão social e promoção de direitos de forma mais eficaz”, afirmou.

A Sema atua com diversas frentes nas unidades estaduais:

  • Prevenção e combate a incêndios: Brigadistas comunitários atuam em áreas estratégicas como Rio Branco, Bujari, Sena Madureira, Tarauacá, Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima, protegendo UCs como a APA Igarapé São Francisco e a Floresta Estadual do Antimary.

  • Monitoramento e controle ambiental: O trabalho do Centro Integrado de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (CIGMA) é essencial para detectar desmatamentos e acionar rapidamente equipes do Batalhão de Policiamento Ambiental, Imac e Ciopaer.

  • Atendimento em saúde e cidadania: Com o programa Saúde na Floresta, o governo leva atendimentos médicos, assistência social e serviços de cidadania às populações em áreas isoladas. A última edição da ação ocorreu em maio, no Complexo de Florestas Estaduais do Rio Gregório, entre Tarauacá e Cruzeiro do Sul.

  • Gestão das UCs: As Unidades de Gestão Ambiental Integrada (UGAIs) são responsáveis pela administração direta dessas áreas, garantindo estrutura de apoio para técnicos e parceiros que atuam em campo.

Foto: Uêslei Araújo/ Sema

O Parque Estadual Chandless, um dos mais preservados da Amazônia, é destaque em biodiversidade e pesquisas científicas. Instituições como a Fiocruz, a Universidade Federal do Acre e o Instituto Federal do Acre realizam estudos sobre ecologia, solos, recursos hídricos e fauna local. O parque também é referência em observação de aves, atraindo pesquisadores e turistas especializados.

O monitoramento da biodiversidade é constante, com levantamentos sobre fauna e flora que ajudam a identificar ameaças e orientar ações de conservação.

Participação da sociedade

Foto: André Dib

As unidades estaduais contam com conselhos gestores formados por representantes de comunidades locais, órgãos públicos e instituições da sociedade civil. Esses espaços garantem a participação direta das populações nas decisões sobre o manejo e a gestão das áreas protegidas.

A gestora Renata Souza destaca que os conselhos e as escutas comunitárias são fundamentais. “A gestão participativa fortalece o vínculo entre as comunidades e o Estado, e contribui para a proteção dos territórios tradicionalmente ocupados.”

O levantamento do IBGE reforça a importância das unidades de conservação não apenas como instrumentos de proteção ambiental, mas também como espaços vivos, habitados por comunidades que dependem dessas áreas para manter seus modos de vida e tradições.

Via Agência de Notícias do Acre.