Um aumento de até 50% no valor das passagens aéreas em municípios isolados do Acre está gerando revolta e preocupação. Em cidades onde não há estradas e o transporte pelos rios é limitado, moradores denunciam estar “reféns” de tarifas que podem ultrapassar R$ 4 mil, tornando praticamente impossível o acesso a serviços básicos como saúde, educação e Justiça.
Diante da situação alarmante, a Defensoria Pública do Estado do Acre entrou em ação e cobrou explicações formais da empresa responsável pelos voos. O objetivo é esclarecer o motivo do aumento repentino e investigar se há prática abusiva contra os consumidores.
Os reajustes atingem diretamente cidades como Jordão, Santa Rosa do Purus e Tarauacá, que dependem exclusivamente do transporte aéreo para se conectar à capital, Rio Branco. Atualmente, uma passagem pode custar entre R$ 1.200 e R$ 3.000 por trecho valores que, em muitos casos, superam o dobro do salário mínimo.
A Defensoria questiona os critérios usados para definir os preços, o impacto real do combustível e se os incentivos fiscais recebidos pelo setor estão sendo considerados. Outro ponto crítico é o fato de algumas rotas serem operadas por apenas uma empresa, o que levanta suspeitas sobre a falta de concorrência e possíveis abusos.
Para o órgão, a situação é grave: nessas regiões, voar não é luxo, é necessidade. O aumento dos preços pode aprofundar ainda mais o isolamento dessas comunidades e dificultar o acesso a direitos fundamentais.
A Defensoria Pública do Estado do Acre deu prazo de 10 dias para que a empresa apresente justificativas. Caso as respostas não sejam satisfatórias, medidas judiciais podem ser adotadas para conter o que pode se tornar um verdadeiro colapso no acesso da população aos serviços essenciais.
Fonte: DPE


