O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a gerar repercussão internacional após afirmar que não pretende ser pressionado para fechar um acordo com o Irã sobre o programa nuclear do país. A declaração reacendeu debates sobre os obstáculos que ainda impedem um entendimento definitivo entre Washington e Teerã.
Durante entrevista à CNN, a especialista em Direito Internacional Priscila Caneparo afirmou que Trump enfrenta uma “encruzilhada” política e diplomática diante das negociações com o governo iraniano.
Segundo a especialista, o Irã apresentou propostas baseadas em três pontos principais: alívio das sanções econômicas, controle do Estreito de Ormuz e a manutenção parcial do programa nuclear iraniano para fins pacíficos.
O principal impasse continua sendo justamente a questão nuclear. Enquanto o Irã aceita limitar o programa por um período de até cinco anos, os Estados Unidos defendem o encerramento completo das atividades nucleares iranianas, inclusive aquelas voltadas para fins energéticos.
Caneparo destacou que o Irã integra o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, que garante aos países signatários o direito ao desenvolvimento de tecnologia nuclear para fins pacíficos.
A especialista também avaliou que Trump dificilmente conseguirá atingir um dos objetivos defendidos por setores mais radicais da política americana: a queda do regime iraniano.
“O regime é muito capilarizado dentro do contexto iraniano, territorialmente e socialmente falando”, afirmou.
Outro ponto citado pela analista envolve o cenário econômico e as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, previstas para novembro. Segundo ela, Trump alterna discursos sobre avanço ou recuo das negociações para tentar equilibrar pressões políticas internas e impactos econômicos.
Caneparo ainda afirmou que existe um fator político e pessoal envolvendo Trump, que busca consolidar seu nome na política internacional por meio de um acordo considerado historicamente relevante.
A especialista também comentou declarações recentes do presidente americano sobre os chamados Acordos de Abraão, que envolvem o reconhecimento diplomático de Israel por países árabes. Segundo ela, os Estados Unidos não podem obrigar outros países a aderirem a tratados internacionais.
Apesar das sinalizações de ambos os lados sobre possíveis avanços nas negociações, o acordo definitivo entre Estados Unidos e Irã segue indefinido.



