POLITICA

STF abre investigação contra Flávio Bolsonaro por suspeitas ligadas ao filme Dark Horse

Inquérito autorizado por André Mendonça apura possíveis crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo recursos repassados por Daniel Vorcaro para a produção.

Camila Souza Por

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de uma investigação contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) por suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A decisão foi tomada em 22 de julho, após pedido da Polícia Federal e concordância da Procuradoria-Geral da República (PGR). O conteúdo do despacho tornou-se público nesta sexta-feira (11), após parte do sigilo das investigações envolvendo o Banco Master ser retirada.

A apuração está vinculada ao inquérito que investiga as suspeitas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo a decisão, os investigadores querem verificar se houve prática de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros possíveis delitos no contexto dos recursos destinados à produção de Dark Horse.

Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade e afirma que os recursos recebidos de Vorcaro tinham como finalidade o financiamento do filme. A defesa do senador foi procurada para comentar a investigação, mas não havia manifestação até a publicação das informações mais recentes.

O caso envolve diferentes frentes de investigação. Uma delas, conduzida pelo ministro Flávio Dino, examina suspeitas relacionadas ao uso de emendas parlamentares no financiamento da produção. A apuração autorizada por Mendonça está inserida no conjunto de investigações relacionadas ao Banco Master.

Áudio enviado a Vorcaro

Entre os elementos analisados pelos investigadores está uma mensagem de áudio enviada por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro. No material, o senador cobra uma posição sobre os recursos destinados ao filme e demonstra preocupação com pagamentos que estavam pendentes.

Flávio menciona, entre outros compromissos, contratos envolvendo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, além de despesas relacionadas à equipe da produção.

O conteúdo do áudio é considerado pelos investigadores dentro do contexto da relação financeira entre Flávio e Vorcaro. A existência da mensagem, porém, não significa, por si só, comprovação dos crimes investigados.

Delação cita repasses para o filme

A investigação ganhou novos elementos após o ministro André Mendonça homologar, em 9 de setembro, o acordo de colaboração de Antônio Carlos Freixo Júnior, apontado como operador financeiro ligado a Vorcaro.

Segundo informações divulgadas sobre a delação, Freixo relatou operações financeiras realizadas para o ex-banqueiro, incluindo remessas destinadas ao Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, fundo relacionado ao financiamento de Dark Horse.

Os investigadores procuram esclarecer a origem e o destino dos valores movimentados e verificar se as operações tiveram alguma finalidade diferente daquela declarada para a produção cinematográfica.

Entre os pontos analisados também estão transferências internacionais e recursos que teriam sido movimentados fora do Brasil. A Polícia Federal pretende cruzar documentos financeiros apresentados pelos colaboradores com outros elementos reunidos durante a investigação.

O inquérito ainda está em fase de apuração. A abertura da investigação não representa conclusão sobre a responsabilidade criminal de Flávio Bolsonaro, que poderá apresentar sua versão e se defender das suspeitas ao longo do procedimento.