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“Bolsonaro perdeu a credibilidade” noticia G1

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20 Fev de 2019 do YacoNews


Quem sai mais machucado do caso Bebianno é o presidente Jair Bolsonaro. A divulgação do áudio das conversas por WhatsApp com o ex-ministro Gustavo Bebianno põe em xeque sua credibilidade, num momento em que ele precisa dela para negociar com o Congresso o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro e a reforma da Previdência do ministro Paulo Guedes.

Os áudios, divulgados ontem pela revista Veja, abrem apenas duas possibilidades: ou Bolsonaro mentiu deliberadamente, ou então foi induzido à mentira por uma dificuldade primária de interpretação de texto. Nas célebres palavras de Eça de Queirós, trata-se de “má-fé cínica” ou “obtusidade córnea” (ou ambas). Basta seguir o roteiro do caso para entender por quê.

A confusão começou com o tuíte do vereador Carlos Bolsonaro no dia 13, logo depois que seu pai saiu do hospital em São Paulo: “Ontem estive 24 horas do dia ao lado do meu pai e afirmo: É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano (sic) que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista”.

Noutro tuíte, Carlos reproduzia o áudio de uma mensagem em que o pai se recusa a falar com Bebianno. O tal “assunto citado pelo Globo” eram acusações contra Bebianno de envolvimento no escândalo do laranjal do PSL denunciado dias antes pela Folha de S.Paulo: o uso de candidaturas femininas de fachada para desviar recursos do fundo eleitoral.

Na véspera, Bebianno dissera ao Globo ter falado três vezes com Bolsonaro. O texto afirma literalmente: “Não existe crise nenhuma. Só hoje falei três vezes com o presidente — disse Bebianno ao Globo, afirmando que a conversa se deu por mensagens no WhatsApp”. O tema de uma das conversas, prossegue o jornal, fora, segundo Bebianno, o cancelamento de uma viagem ao Pará. O meio de comunicação também está claro: o aplicativo de mensagens WhatsApp.

No mesmo dia em que Carlos soltou seus tuítes, o pai gravara uma entrevista ainda no hospital à TV Record, que foi ao ar logo depois. Na entrevista, Bolsonaro reforçava a versão do filho, de que Bebianno havia mentido e afirma que, se estivesse envolvido no caso do laranjal, deveria “voltar às origens”.

Bastou a Bebianno, para desmentir Carlos e o pai, apresentar os áudios das três conversas de WhatsApp com Bolsonaro no dia 12. Foi o que a revista Veja divulgou ontem. Na primeira, Bolsonaro se queixa de uma reunião agendada entre Bebianno e um executivo do Grupo Globo e pede que seja cancelada. Na segunda, ele questiona sobre a viagem de ministros agendada para a Amazônia. Na terceira, ordena o cancelamento da missão (leia e ouça as mensagens aqui).

Noutras mensagens, Bolsonaro contesta que tenha falado com Bebianno. “Você não falou comigo nenhuma vez no dia de ontem”, diz Bolsonaro. “Ele (Carlos) esteve comigo 24 horas por dia, então não está mentindo, nada, nem está perseguindo ninguém.”

Bebianno responde pacientemente que há “várias formas de se (sic) falar” e cita as três trocas de mensagens com Bolsonaro. “Qual a relevância disso, capitão?”, pergunta. “Tira isso do lado pessoal. Ele não pode atacar um ministro dessa forma. Nem a mim nem a ninguém, capitão. Isso está errado. Por que esse ódio?”

Em suas respostas, Bolsonaro repudia a tentativa de empurrar para seu colo a “batata quente” dos laranjas do PSL, questiona a honestidade e o caráter de Bebianno. Também acusa Bebianno de ter vazado para a imprensa que tentara entrar em contato com ele para falar sobre o caso, mas não fora atendido. “Olha como você entra em contradição”, diz Bolsonaro. “Quem ligou foi você, quem vazou foi você. (…) Você tem que fazer uma reflexão para voltar à normalidade.” Bebianno nega o vazamento que despertou a ira do capitão e levou ao tuíte de seu filho.

Se Bebianno quebrara de fato a confiança do presidente ao estabelecer elos paralelos com a imprensa, bastaria demiti-lo. O escândalo do laranjal era um pretexto mais que suficiente. Em vez disso, criou uma batalha de tuítes e áudios nas redes sociais com duas distorções claras:

1. Para qualificar Bebianno de mentiroso, Carlos distorce a informação publicada no Globo, ao sugerir que as três conversas haviam tratado do caso dos laranjas. O próprio jornal dissera que, segundo Bebianno, elas versavam sobre outros temas. Serviam apenas para mostrar que ele ainda mantinha contatos produtivos com o presidente, apesar do escândalo do laranjal;

2. Mesmo depois de Bebianno demonstrar que não mentira, pois o próprio jornal publicara que os contatos haviam sido feitos por WhatsApp, Bolsonaro repete que as mensagens de WhatsApp não podem ser consideradas conversas. “Ô Gustavo, usar da… que usou do WhatsApp para falar comigo, aí é demais da tua parte, aí é demais, e eu não vou responder a você”, afirma rispidamente o presidente.

Das duas, uma: ou Bolsonaro e Carlos, numa leitura apressada, não entenderam o que estava publicado no jornal, daí ambas as distorções; ou então entenderam e distorceram deliberadamente, de modo a obter um pretexto para fritar Bebianno. Nenhuma das possibilidades é boa para um presidente que depende de credibilidade política para convencer congressistas a aprovar seus projetos.

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Marina diz que governo usará recursos do Fundo Amazônia para ajudar povo Yanomami

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A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou nesta segunda-feira (30) que o governo federal utilizará recursos do Fundo Amazônia para ajudar o povo Yanomami.

A população indígena sofre com uma grave crise de saúde, com inúmeros registros de desnutrição e malária.

“Os recursos do Fundo Amazônia serão deslocados para ações emergenciais. Essas ações estão sendo tratadas em vários níveis, que envolvem: a questão da saúde; o tratamento ao problema da grave situação de fome, que está assolando as comunidades; a parte de segurança, para que essas pessoas possam ficar em suas comunidades, e isso tem a ver com operações de desintrusão do garimpo criminoso dentro dessas comunidades”, declarou a ministra.

Marina Silva deu a declaração em uma entrevista coletiva em Brasília, após ter se reunido com a ministra da Cooperação da Alemanha, Svenja Schulze.

Fundo Amazônia
Criado em 2008, o Fundo Amazônia é destinado a financiar ações de redução de emissões provenientes da degradação florestal e do desmatamento. É considerada uma inciativa pioneira na área.

Além de apoiar comunidades tradicionais e ONGs que atuam na região amazônica, o fundo fornece recursos para estados e municípios para ações de combate ao desmatamento e a incêndios.

O fundo é abastecido com recursos de doações internacionais. Os governos de Alemanha e Noruega respondem, juntos, por mais de 99% dos depósitos.

Em dez anos (2009 a 2018), o fundo aplicou mais de R$ 1 bilhão em 103 projetos de órgãos públicos e organizações não-governamentais. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) administra os recursos e aprova os projetos.

Em 2019, primeiro ano do governo Jair Bolsonaro, as ações do fundo foram paralisadas. Na ocasião, o governo suspendeu comitês, entre eles o Comitê Orientador do Fundo Amazônia (COFA), que tem como atribuição estabelecer as diretrizes e critérios para aplicação dos recursos do fundo. Isso levou Noruega e Alemanha a suspenderem os repasses.

Em 1º de janeiro, dia em que tomou posse como novo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma série de medidas, entre elas um decreto em que determinou a retomada do fundo.

Após a edição do decreto, entidades ambientais disseram ter boa expectativa com a retomada do fundo, afirmando ser possível garantir a preservação ambiental da região e a buscar o desenvolvimento sustentável.

Também após o decreto, a Noruega informou que o Brasil já poderia gastar cerca de R$ 3 bilhões doados pelo país ao Fundo Amazônia. E a Alemanha anunciou a destinação de 35 milhões de euros.

Por G1 e TV Globo

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MEC divulga novos prazos de inscrição para o Sisu, Prouni e Fies

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O Ministério da Educação disponibilizou na internet os editais dos primeiros processos seletivos de 2023 do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
Para acessar informações sobre os três programas, os estudantes devem utilizar o Portal Acesso Único. Os calendários de inscrições foram antecipados, conforme anúncio feito em dezembro pelo MEC.

O novo prazo de inscrição para o Sisu é de 16 a 24 de fevereiro de 2023. O resultado será divulgado no dia 28 de fevereiro. Antes, o resultado estava previsto para sair em 7 de março. As inscrições para o Prouni serão abertas no dia 28 de fevereiro e vão até o dia 3 de março. E para o Fies, terão início no dia 7 de março e terminarão no dia 10 do mesmo mês.

Segundo o MEC, em todos os processos seletivos a classificação tem por base a nota obtida na edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2022.

“Para o Prouni, serão válidas também as notas obtidas no Enem de 2021. Já no Fies, quem concorreu a uma das edições do Enem a partir de 2010 até a mais recente, poderá se inscrever”, informou o Ministério da Educação.

Veja as datas
Sisu

Inscrições: 16 a 24 de fevereiro

Resultado: 28 de fevereiro

Prouni

Inscrições: 28 de fevereiro a 3 de março

Resultados: 7 de março (1ª chamada); e 21 de março (2ª chamada)

Fies

Inscrições: 7 a 10 de março

Resultado: 14 de março.

POR AGÊNCIA BRASIL

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Preços dos combustíveis aumentam pela terceira semana consecutiva

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Os preços dos combustíveis voltaram a subir no arranque desta semana, que marca o final do mês de janeiro, o que representa o terceiro aumento consecutivo.

Desta forma, e segundo as contas do site Mais Gasolina, na madrugada desta segunda-feira, 30 de janeiro, a Galp aumentou os preços da gasolina 95 simples em 3,5 cêntimos por litro, para um preço médio de 1.811 euros, enquanto o gasóleo simples registou um aumento de 1 cêntimo por litro, para um preço 1.751 euros por litro.

Já BP aumentou o preço da gasolina simples 95 em 3,5 cêntimos por litro, para um preço médio de 1.825 euros por litro, enquanto o gasóleo simples registou uma subida de 1 cêntimo para um preço médio de 1.770 euros.

Por seu lado, a Repsol aumentou preço da gasolina 95 simples em 3, cêntimos, tal como a BP e a Galp, para um preço médio de 1.813 euros por litro, enquanto o gasóleo simples subiu 1,5 cêntimos 1,749 euros por litro.

Recorde-se que para encontrar a gasolina 95 simples a preços mais altos é preciso recuar a 20 de novembro de 2022, e no caso do gasóleo a 28 de novembro do ano passado.

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