Pesquisas eleitorais podem esconder tentativa de fraude no Acre e em todo o país

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A campanha eleitoral deste ano, que acontece principalmente nas redes sociais e no horário gratuito, com restrições à livre movimentação dos candidatos, está provocando o fortalecimento de um fenômeno que não é novo, mas que está criando novas formas de fraudes. É o esquema de pesquisas de opinião, que estão surgindo com o cogumelos após as chuvas na floresta.

São centenas de institutos desconhecidos, sem nenhuma estrutura, vendendo resultados a qualquer preço, de pesquisas que provavelmente não são feitas.

A Justiça eleitoral já está de olho nesse assunto, embora seja vedado se pronunciar sobre o resultado das pesquisas. A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisas, – ABEP – também chama a atenção para o problema. Reportagem do Globo esmiuçou o esquema, que também atua no Acre.

Os partidos e candidatos se iludem com falsos resultados, feitos para impressionar o eleitor, que se mostra cada vez mais desconfiado com a dança dos números e posições em cada levantamento.

Segundo o jornal O Globo, o esquema é voltado para pequenas e médias cidades, e capaz de influenciar os resultados eleitorais. O número de pesquisas bancadas pela própria empresa que realiza o levantamento praticamente triplicou este ano, segundo dados do próprio TSE. Até o começo da última semana, 3.499 pesquisas foram registradas nesse molde – 174% a mais na comparação com o mesmo período em 2016 (1.279).

A reportagem afirma que a expansão do mercado de medição da intenção de votos vem acompanhada de práticas que podem interferir no processo eleitoral, principalmente nas pequenas cidades. Os números escondem a falta de controle de qualidade dos levantamentos que são produzidos e registrados oficialmente como pesquisas. Já foram identificadas acusações de ofertas de resultados fraudulentos, levantamentos feitos a partir de formulários do Google e Facebook e uso de dados falsos de estatísticos.

Ao informar que realizaram as pesquisas com verba própria, sem contratante externo, os institutos não precisam prestar contas sobre a origem do dinheiro. Há casos de levantamentos feitos por empresas que declararam à Receita Federal ter como atividade o transporte com uso de vans e a filmagem de casamentos, ressalta O Globo. No Acre, pelo menos uma empresa se dedica a confeccionar banners.

Esquema no Acre

O Acre também é alvo dessa proliferação de institutos desconhecidos. Entre as dez últimas pesquisas registradas do TRE acreano, ao lado de institutos tradicionais, nacionais e estaduais, como Ibope, Real Big Data, os acreanos Delta e Data Control, com experiência em eleições passadas, aparecem empresas como Franco & Rodrigues Comunicação Social e Empreendimentos Ltda / Jornal Correio Continental RO; IHPEC – Instituto Haverroth de Política, Estatística e Comunicação Ltda. / Instituto Haverroth;, Augusto da S Rocha Eireli / AR7 Pesquisa de Opinião E Consultoria Estatística e PRPL Serviços de Consultoria Ltda – me / Epicensus Instituto de Pesquisa, Opinião E Mercado.

Eis a ficha desses institutos:

AR7

O caso que mais salta aos olhos é a presença da / AR7 Pesquisa De Opinião e Consultoria Estatística, empresa que está fazendo pesquisas por atacado em todo o Brasil e que tem sido alvo de inúmeros processos embargos.

Foi esse instituto que divulgou recentemente pesquisa que apontou Fagner Sales na dianteira em Cruzeiro do Sul. Pois essa empresa registrou no mesmo dia, 39 pesquisas em todo Brasil, todas pelo mesmo valor de R$ 5.000,00.

Só em Santa Catarina, a empresa afirmou que iria realizar cerca de 2.500 questionários presenciais, em seis cidades diferentes de SC, num intervalo de dois dias. Em Lages seriam 490 entrevistas por R$ 5.000,00. Em Florianópolis seriam 600 entrevistas pelos mesmos R$ 5.000,00. Em Joaçaba, seriam 350 entrevistas, pelos mesmos R$ 5.000,00. Palhoça, 500 entrevistas. R$ 5.000,00 reais. Xanxerê, 400 entrevistas, por R$ 5.000,00. Detalhe: a empresa tem sede no interior de São Paulo.

Diante dessa denúncia, o juiz de Lages, em Santa Catarina, determinou não só a suspensão das pesquisas, como estipulou multa diária de R$ 53 mil se pesquisas fossem divulgadas. Em sua decisão, o juiz eleitoral determina que a Justiça e o Ministério Público eleitorais tenham acesso ao “sistema interno de controle, verificação e fiscalização da coleta de dados das entidades e das empresas que divulgarem pesquisas de opinião relativas aos candidatos e às eleições, incluídos os referentes à identificação dos entrevistadores e, por meio de escolha livre e aleatória de planilhas individuais, mapas ou equivalentes, confrontar e conferir os dados publicados, preservada a identidade dos entrevistados, assim como ao relatório entregue ao solicitante da pesquisa e ao modelo do questionário aplicado, para facilitar a conferência das informações divulgadas”.

O cadastro da empresa mostra que ela foi criada em 02/03/2018, se localiza ne Rua Jaboticabal, 98, Vila Bertioga, São Paulo e tem capital declarado de R$ 100 mil. A empresa foi questionada pela falta de estatístico responsável e dedicado, sendo que apenas um profissional assinava todos os levantamentos, em diferentes pontos do país, Toda pesquisa precisa de um estatístico responsável.

Instituto Haverroth

O – Instituto Haverroth de Política, Estatística e Comunicação tem sede em Ji-Paraná, em Rondônia, registrado em nome de K Oliveira de Souza, empresa aberta em 03/10/2017. tem capital social registrado de apenas R$ 10.000,00. Em seu site consta o início de atividades em 1998, com especialização em Desenvolvimento Humano Pessoal e Empresarial (Cursos e palestras com técnicas de PNL e COACH), Pesquisas eleitorais, planejamento e treinamento político, Inteligência de Mercado Análises de Dados Internos, Pesquisa de Mercado e Opinião Pública, Comunicação e Marketing. Na parte dedicada às pesquisas políticas explica que a pesquisa é uma grande aliada para o gestor/empresário/político conseguir os dados que precisa para traçar estratégias e tomar as decisões certas.

Depois de ser criticada por realizar pesquisas com 250 questionários e margem de erro de 2%, a empresa registrou pesquisa em Rio Branco prevendo fazer 630 questionários com margem de erro de 3,9%. Mas não aparece o nome do contratante, com a empresa dizendo que é ela própria a interessada, um claro indício de suspeição. Para essa pesquisa de 630 questionários, o custo é de R$ 5 mil, fora de padrão.

Franco & Rodrigues Comunicação Social e Empreendimentos Ltda / Jornal Correio Continental Ro

Esta é uma empresa que só existe em época de eleição, quando lança um site para atrair contatos. A empresa faz supostas pesquisas em Rondônia e Acre, principalmente. Registrada em nome de Rodrigo Goncalves Pereira, lançou um novo visual de seu site oficial, e de página no Facebook

PRPL Serviços de Consultoria Ltda – me / Epicensus Instituto De Pesquisa, Opinião e Mercado.

Este é o instituto mais misterioso. Não há site oficial, página no facebook e todos os contatos só podem ser feitos por uma página com o e-mail.

Não há nenhuma informação de pesquisas realizadas pela empresa,. exceto uma para um condomínio residencial em Porto Velho. Nos dados apresentados à Justiça eleitoral aparece que sua pesquisa foi encomendada pelo Progressistas e o questionário e a amostragem, bem feita, embora não haja garantia que a pesquisa tenha sido realizada.

 

A Tribuna

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