22 maio 2024

Carros de luxo, moto aquática, dinheiro, bolsas de grife e joias estão entre itens apreendidos na 3ª fase da Operação Ptolomeu

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PF apreendeu joias, bolsas e relógios na casa do irmão do governador Gladson Cameli, Eládio Júnior, em Manaus — Foto: Reprodução

Carros de luxo, moto aquática, aeronave, bolsas de grife, dinheiro, joias e relógios estão entre os itens apreendidos pela Polícia Federal nesta quinta-feira (9) durante a terceira fase da Operação Ptolomeu, que investiga corrupção e lavagem de dinheiro na cúpula do governo do Acre. Mandados foram cumpridos ainda no Amazonas, Goiás, Piauí, Paraná, em Rondônia e no Distrito Federal.

A quantidade dos bens ainda não foi divulgada pela PF-AC. Entre as apreensões estão:

  • Carros de luxo
  • Bolsas de grife
  • Joias
  • Relógios
  • Moto aquática
  • Dinheiro
  • Aeronave

A assessoria de comunicação da PF informou que aguarda o balanço da operação para divulgar a relação de bens apreendidos.

No Acre, equipes da PF fizeram buscas em gabinetes da Casa Civil, Secretaria de Fazenda do estado, Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop), Secretaria de Estado da Saúde (Sesacre), Departamento de Estradas de Rodagens do Acre (Deracre), Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal (Idaf) e Tribunal de Contas do Acre (TCE-AC).

Nesta nova fase, o objetivo é bloquear bens para, no futuro, ressarcir os cofres públicos.

Em Manaus, policiais federais apreenderam joias e relógios na casa do irmão do governador Gladson Cameli, Eládio Júnior. Um representante da família disse que o corpo jurídico ainda não teve acesso ao processo, portanto, dispõe apenas das informações divulgadas pela PF.

Carros de luxo, moto aquática e dinheiro foram apreendidos durante operação da PF — Foto: Reprodução

Carros de luxo, moto aquática e dinheiro foram apreendidos durante operação da PF — Foto: Reprodução

Celular no telhado

Imagens divulgadas pela PF mostram um agente recolhendo um celular que foi jogado em cima do telhado da casa de um dos investigados.

Após a operação, o governador do Acre, Gladson Cameli, publicou uma nota nas redes sociais a respeito das investigações. “Essa é mais uma etapa da operação de mesmo nome. Com o andamento do processo, o governador confia que tudo será apurado e esclarecido. Mais uma vez, o governador se coloca à disposição das autoridades, colaborando com mais essa etapa das investigações. O governador reafirma o seu apoio e confiança na Justiça, para que a verdade sempre prevaleça”, diz a nota.

Também em nota, os advogados Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso, Tarcísio Vieira de Carvalho Neto e Telson Ferreira disseram ver com “surpresa” a terceira fase do inquérito iniciado há dois anos.

Policial federal recolheu celular em cima do telhado da casa de um dos investigados — Foto: Reprodução

Policial federal recolheu celular em cima do telhado da casa de um dos investigados — Foto: Reprodução

Operação Ptolomeu

operação contra corrupção e lavagem de dinheiro na cúpula do governo do Acre, intitulada “Ptolomeu”, chegou à sua terceira fase nesta quinta-feira (9), com o cumprimento de 89 mandados de busca e apreensão em seis estados e no Distrito Federal.

A ação foi iniciada em 2021 e investiga, entre outros, o governador do Acre, Gladson Cameli (PP). A terceira fase da operação foi deflagrada a partir de investigações da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República, da Receita Federal e da Controladoria-Geral da União. Os nomes dos alvos não foram divulgados.

No Acre, equipes da PF fizeram buscas em gabinetes da Casa Civil, Secretaria de Fazenda do estado e outros órgãos — Foto: Arquivo

No Acre, equipes da PF fizeram buscas em gabinetes da Casa Civil, Secretaria de Fazenda do estado e outros órgãos — Foto: Arquivo

Em nota, o governo do Acre informou não foi solicitada ao governador a entrega de celulares e que os documentos vão ser entregues dentro do prazo solicitado pelas autoridades policiais.

O STJ determinou o bloqueio de R$ 120 milhões em bens dos investigados, incluindo valores em contas bancárias, aeronaves, casas e apartamentos de luxo. Segundo a PF, o cumprimento dos mandados envolve mais de 300 policiais federais nesta quinta.

Sobre a presença da PF na sede do TCE-AC, a Corte de Contas informou, em nota, que se tratou de um “mandado específico direcionado a servidor efetivo deste tribunal”, ocupante do cargo de auditor de controle externo e que “à época dos fatos investigados encontrava-se cedido ao governo estadual.”

“Atualmente, o servidor encontra-se afastado de suas funções, em gozo de licença-prêmio. Por fim, o TCE-AC reitera que se encontra integralmente à disposição para colaborar no que for necessário com as investigações, e reforça o seu compromisso em zelar pelo bom uso dos recursos públicos”, disse a nota.

Operação anterior

Em dezembro de 2021, Cameli já tinha sido alvo da primeira fase da operação. O político se elegeu governador do Acre em 2018 e foi reeleito para um segundo mandato no ano passado. Na época, 41 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão foram deflagrados. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a operação, determinou o afastamento das funções públicas dos envolvidos.

De acordo com a PF, na operação da época, foram apreendidos, no total:

  • Seis veículos, estimados em R$ 1,7 milhão;
  • R$ 600 mil em espécie, entre dólares, euros e reais;
  • 33 relógios e 10 joias de alto valor, totalizando mais de R$ 1 milhão, aproximadamente;
  • R$139 mil reais em celulares apreendidos.

 

Também em 2021, Gladson Cameli afirmou que tinha a consciência “tranquila” e que a polícia estava cumprindo seu papel de apurar denúncias.

“Quem não deve, não teme. Não devo, não temo e quero que fique até o final, se tiver coisa errada vai para a rua [o servidor] e tem que prestar contas à sociedade, porque é dinheiro público”, disse à época.

Já na segunda fase, deflagrada ainda em dezembro de 2021, a PF disse que foi detectado que servidores públicos estavam obstruindo a investigação. Um vídeo, que a Rede Amazônica teve acesso com exclusividade, mostrava as investigadas ocultando celulares durante a deflagração da 1ª fase da ação.

Por g1 AC

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